Com o objetivo de implantar as diretrizes recomendadas pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento da transmissão vertical (de mãe para filho) pelo vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV), a Secretaria de Saúde de Guarulhos capacitou, entre os dias 5 e 7 de maio, mais de cem médicos e enfermeiros das redes pública e privada sobre o novo fluxo municipal de assistência ao HTLV. A iniciativa ocorreu após a publicação da Nota Técnica Municipal de 05/05/2026, estabelecendo diretrizes para a vigilância e o manejo de gestantes e crianças expostas, visando interromper a transmissão da mãe para o filho durante o parto e a amamentação.
As aulas foram ministradas pela médica infectopediatra do Departamento de Vigilância em Saúde, Dra. Paula Andrade Alvarez. Na terça-feira (5), o treinamento ocorreu de forma virtual para profissionais da atenção primária e serviços especializados. Já na quinta-feira (07), a capacitação foi presencial no anfiteatro da Secretaria de Saúde, direcionada especificamente às equipes das maternidades do município, focando no atendimento imediato e preventivo.
O HTLV é uma infecção silenciosa que, apesar de ser desconhecida por grande parte da população, pode desencadear patologias graves, como leucemia, doenças neurológicas e dermatológicas. Embora a maioria dos infectados não apresente sintomas iniciais, o monitoramento é fundamental para a detecção precoce dos quadros associados. Além da via sexual, a transmissão vertical e a amamentação trazem preocupações para a saúde pública e coletiva, exigindo intervenções específicas durante o pré-natal e o acompanhamento do bebê.
Os dados epidemiológicos reforçam a necessidade da ação: desde 2025, ano em que a notificação do vírus se tornou compulsória, Guarulhos registrou 19 casos de HTLV em adultos, 17 em gestantes e 10 em crianças expostas ao vírus. Os números, extraídos do SINAN evidenciam a importância da detecção precoce para garantir a segurança dos recém-nascidos.
Com essa mobilização, o município de Guarulhos reafirma seu protagonismo no enfrentamento das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Ao qualificar a rede de assistência e estreitar a vigilância, a gestão municipal busca não apenas tratar os casos existentes, mas prevenir que novas gerações sejam afetadas pelas complicações associadas ao HTLV.
