Mais de 700 pessoas reuniram-se na manhã desta quinta-feira (14), no Teatro Adamastor, para discutir o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes em Guarulhos, em alusão ao Maio Laranja. O evento convidou três especialistas no assunto para discutir a convivência familiar e comunitária na prevenção desses abusos e como a sociedade tem por obrigação a proteção desse público.
Mesmo não estando presente ao evento, o prefeito Lucas Sanches reforçou a luta intersetorial neste combate e a importância da união de forças e conhecimentos para que nossas crianças e adolescentes sejam atendidos em todas as frentes necessárias, desde educação, passando por saúde e segurança pública. Já Henrique Menezes, à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social, de Proteção e Defesa Civil, aproveitou o momento para agradecer a dedicação de todos os servidores que acolhem a população nas unidades de atendimento sócio assistencial e tem a responsabilidade de, com escuta ativa, também notificar casos de violência.
“É preciso entender que por trás de cada número de notificação, existe uma criança de carne e osso cuja história foi marcada pela violência”, afirmou a doutora Natalie Riskalla, que ocupa hoje o cargo de promotora de Justiça de Interesses Difusos e Coletivos da Infância e da Juventude de Guarulhos. Ela explica que a violência é muitas vezes naturalizada por acontecer nos espaços onde a criança deveria estar protegida, como dentro do seu próprio lar e, por isso, torna-se ainda mais importante a articulação nas famílias, na sociedade e no Estado para protegê-las.
O evento foi uma iniciativa da Secretária de Desenvolvimento Social, Proteção e Defesa Civil, em parceria com a Comissão Intersetorial para Construção e Monitoramento do Programa de Atendimento a Crianças e Adolescentes em Situação de Violência – Guarulhos Cidade que Protege e o Programa Saúde na Escola.
Dados e formas de combater a violência
Servidora da Secretaria de Saúde de Guarulhos, a primeira palestrante da manhã foi a psicóloga Rosana Giacchero Pimenta. Ao apresentar dados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ela reforçou a necessidade de notificar casos de abuso e violência contra as crianças e os adolescentes na formulação de políticas públicas de combate. De acordo com os números, meninas negras são as maiores vítimas dessas ações e, 69% dos casos são cometidos por pessoas do convívio dessas crianças. Além disso, meninas sofrem mais violência sexual enquanto meninos sofrem mais violência física, ainda pouco denunciada por ter sido naturalizada na sociedade.
Já Sonidelane Cristina Mesquita, professora, bacharel em Direito e integrante da comissão, ressaltou a necessidade de não permanecer em silêncio, trazendo o caso da menina Araceli Cabrera Crespo, que virou símbolo da luta contra o abuso sexual infantil. Em 1973, a menina de apenas oito anos foi encontrada morta com sinais de violência sexual, mas seus algozes não foram punidos até hoje.
Para finalizar a discussão, a psicanalista Fernanda Ghiringhello Sato mostrou que direitos como convivência e inclusão social podem ser via de salvamento de crianças pois, ao criar uma rede de atendimento e de confiança, é possível que seja mais fácil relatar uma violência sofrida e pedir ajuda.
Abertura musical
Diretamente do Conservatório Municipal de Artes de Guarulhos, o grupo “Os Candonguinhas” abriu o evento com uma apresentação musical. Formado pelo professor Jotagê Alves na clarineta, Rafael Ribeiro no violão de sete cordas e Fernando Falcochio na bateria, o grupo encantou e divertiu o público no início do evento.
