A Prefeitura de Guarulhos realizou na manhã desta sexta-feira (12) um seminário em alusão ao Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, discutindo os desafios e perspectivas sobre o tema, além de proteção ao adolescente trabalhador. Reunindo especialistas e servidores públicos que integram a rede de proteção infantil da cidade, o evento contou com palestra da cientista social e escritora infantojuvenil, Anna Luiza Calixto, e marca a retomada do Programa de erradicação do Trabalho Infantil (Peti) em Guarulhos.
O encontro é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Social, Proteção e Defesa Civil, através da Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil (CMETI) e do Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente (CMDCA), que reúne representantes de diversas Secretarias Municipais, Conselhos de Direitos, Conselho Tutelar e demais órgãos da rede de proteção que, juntos, trabalham o fortalecimento das ações intersetoriais de prevenção e enfrentamento ao trabalho infantil.
O prefeito Lucas Sanches destacou a importância da retomada do programa na cidade, onde irão atuar os servidores de diversas secretarias que atuam diretamente com crianças e adolescentes e suas famílias. “É uma força tarefa capaz de salvar vidas. Quando unimos forças, alinhamos ações e definimos um fluxo de atendimento, nos tornamos qualificados para atuar lá na ponta, onde essas crianças e esses adolescentes estão sofrendo e tendo suas vidas ocupadas por uma atividade que não lhes cabe. O olhar apurado e cuidadoso das equipes será importante nesse acolhimento”, afirmou o chefe do executivo.
“A política pública que surte efeito é aquela que deixa um legado para cidade e, retomando esse programa agora, com todas as secretarias que estão aqui e participam destas ações diretas com o público infantojuvenil, tenho certeza que vamos conseguir salvar e mudar o caminho de muitas crianças que têm suas infâncias roubadas”, disse o secretário de Desenvolvimento Social, Proteção e Defesa Civil, Henrique Menezes.
Para Anna Luiza Calixto, palestrante da manhã, “o olhar da sociedade sobre o tema é dessensibilizado, já que tratamos outras violências como o absurdas, mas quando se fala do trabalho infantil, existe uma naturalização carregada de geração em geração pelos mitos gerados por frases como ‘pra ser o homem que eu sou hoje eu precisei trabalhar’. Ela reforça ainda que, “na verdade, é possível produzir bons cidadãos através da educação, do respeito e de uma infância liberta de violência e que o trabalho da rede de proteção é intervenção pedagógica, instrutivas e orientadora para quebrar essa naturalização e colocar a criança como prioridade absoluta”.
Carregada de um olhar cuidadoso para a questão, a peça “Pedra no Lago – Infâncias Roubadas” abriu o evento. Produzida e apresentada pela Trupe Ortaética de Teatro Comunitário, os atores subiram ao palco para retratar infâncias roubadas e como isso afeta o adulto que aquela criança virá a se tornar. Sob os holofotes, vimos crianças agredidas dentro de casa, sem o amor e o zelo dos responsáveis, abandonadas vivendo nas ruas, sofrendo abusos de todos os tipos ou trabalhando incansavelmente e foi possível perceber uma plateia inteira emocionada.
