O serviço Família Acolhedora convida a população de Guarulhos a abrir seus lares e seus corações para acolher crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por decisão judicial. Participar do serviço não muda a vida só dos atendidos, mas também das famílias. O casal guarulhense Adiléia Soares e Carlos Eduardo Neto são a prova de como o amor e o cuidado são capazes de transformar caminhos. “Têm famílias que tem um amor tão grande dentro de casa e que poderiam passar esse amor pra frente e não sabem a diferença que podem fazer”, diz Adiléia, incentivando os interessados a conhecer o programa.
Participantes do serviço desde 2021, o casal já realizou sete acolhimentos, totalizando nove crianças com idades entre seis meses e 12 anos, que viveram o dia a dia da família incluindo rotina escolar, visitas ao médico e ao psicólogo, passeios culturais e tudo mais o que inclui o cotidiano do núcleo familiar. Participar dessa rotina é o ponto principal do serviço, já que coloca essas crianças e adolescentes em um espaço com atenção individualizada, diferente do que acontece com os que são enviados para o Acolhimento Institucional.
“Cada criança tem uma história e uma bagagem e cada uma é um aprendizado diferente”, conta Carlos, que classifica a função como árdua, mas recompensadora. Na experiência dele, é comum deparar-se com crianças que vivenciaram situações traumáticas, mas também é fácil perceber como a oferta de atenção e cuidado ajudam a mudar essa realidade.
O caráter temporário do serviço é outro ponto central do Família Acolhedora. Assim que possível, o acolhido retornará à sua família de origem ou à família extensa (tios, primos avós) ou será encaminhado a um lar adotivo definitivo, a depender da decisão judicial. Adiléia e Carlos Eduardo entendem que essa questão pode afastar possíveis interessados em integrar o quadro de acolhedores, mas garantem que assistir o bem que o acolhimento faz para os pequenos é a maior recompensa que se pode ter.
Um aspecto importante é que desde o início do acolhimento até a separação, o Instituto Forte, que gerencia o serviço em Guarulhos junto à Prefeitura, acompanha as famílias com atendimento de assistentes sociais e psicólogos. “Da mesma forma que tem um preparo para eles, também tem para os adultos. Assim, quando há a despedida, todos estão preparados para que não seja um momento ruim, nem para nós e nem para a criança”, conta Carlos.
Adiléia lembra ainda, com emoção, a sensação de se entregar para uma ação tão bonita. “Quando a gente doa o nosso tempo, é para que a pessoa sinta o nosso amor, nosso carinho e nosso zelo e eles entendem isso”. Para ela, ser responsável por cuidar das crianças durante a semana é uma experiência enriquecedora. “Falam que nós que acolhemos, mas nós somos acolhidos por eles. É uma troca muito intensa e inexplicável”, finaliza.
Como participar
Os interessados em se tornar Família Acolhedora podem conhecer detalhes do projeto e se inscrever através do WhatsApp (11) 98950-8871 ou pelo e-mail familiaacolhedora@institutoforte.org.br. Informações completas também podem ser conferidas no portal https://www.guarulhos.sp.gov.br/familiaacolhedora.
Entre os requisitos para participar estão ter mais de 21 anos, morar em Guarulhos e não estar inscrito, nem possuir intenção de se inscrever, em programas de adoção, tendo em vista que se trata de um acolhimento temporário.
