Para promover a formação contínua dos professores e aprofundar as ações com os estudantes da rede municipal, a programação do Agosto Indígena contou com diversas atividades ao longo desta semana. O evento incluiu debates, exibição de documentários e encontros formativos dedicados a ressaltar a identidade e a valorizar os povos originários do Brasil.
Na quinta-feira (13), a Secretaria de Educação realizou uma roda de conversa abordando o ensino da história e cultura indígena nas escolas, seus desafios e possibilidades. O encontro, realizado no CME Adamastor, envolveu a equipe técnica do Departamento de Orientações Educacionais e Pedagógicos (DOEP), reforçando o protagonismo, a identidade e a resistência indígena.
O bate-papo contou com a participação da professora indígena Edna Gama do Nascimento, da etnia Tupinambá, que atua na EPG Marfilha Belotti. A professora da rede municipal destacou a Lei 11645/2008, que implementa os conhecimentos da história e das culturas dos povos indígenas na Educação Básica, incluindo escolas das redes pública e privada.
“Precisamos reforçar o ensino e a valorização da cultura do nosso povo, que muitas vezes ocorrem de forma tímida e estereotipada nos ambientes de ensino. Nosso papel como formadores e educadores reflete nosso compromisso com a identidade da nossa nação. Por isso, a aprendizagem na educação infantil é essencial para a construção de uma sociedade livre de preconceitos”, pontuou Edna.
Também foram convidadas as professoras Vanessa Dias da Silva e Zely Ferreira da Rocha, professoras da rede municipal de São Paulo, idealizadoras do “Projeto Caixa do Brincar – uma travessia das infâncias do rio, da terra e do asfalto”, iniciativa reconhecida com o 2º lugar no Prêmio Paulo Freire 2025.
“Com o projeto aprendi muito sobre quem sou; ele fortaleceu o nosso trabalho ao longo do tempo. Sabemos que o trabalho na educação pública é árduo e repleto de desafios, mas, através dele, transmitimos mensagens e vivências significativas, tanto para as crianças quanto para nós mesmos. Acredito que a nação brasileira, em certa medida, perdeu a sua própria identidade; por isso, a questão central é o autoconhecimento e o reconhecimento da nossa essência. Nesse sentido, considero fundamental ensinar as crianças a se reconhecerem. É esse universo que nos transforma e se torna uma descoberta extraordinária”, relatou Zely.
Desafios e possibilidades
Durante a conversa, profissionais falaram da relevância da lei para garantia de direitos fundamentais para os estudantes, assegurando o acesso ao conhecimento. Foram apresentadas diversas possibilidades de aprendizagens com as crianças, como explorar atividades em ambientes externos à sala de aula, incluir leituras de autores indígenas nas aulas (contos, causas, autobiografias, poemas, músicas), além de pesquisas, filmes, documentários, notícias com debates e rodas de conversa. Também foram debatidos os desafios centrais para a implementação da lei, reforçando a formação docente e a necessidade de ampliação do diálogo com os indígenas de diversas etnias.
Já na quarta-feira (12), estudantes da EJA das EPGs Dr. José Maurício de Oliveira e Crispiniano Soares assistiram ao documentário ‘A queda do céu’, no CineSESC Guarulhos. O longa-metragem retrata a comunidade Watoriki, tradicional e importante aldeia do povo Yanomami, localizada no estado do Amazonas, além do manifesto contra a destruição da Floresta Amazônica.
