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Saúde alerta para os riscos da gestação precoce na Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência

Nesta segunda-feira (1º), início da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a Secretaria da Saúde de Guarulhos alerta para os riscos da gestão precoce tanto para o bebê como para a mãe, que nem sempre está preparada fisicamente para conceber. Elevação da pressão arterial (pré-eclâmpsia e eclampsia com probabilidade de crises convulsivas), parto prematuro e complicações, bebê com baixo peso ou subnutrido, aborto espontâneo, alterações no desenvolvimento da criança e má-formação fetal são alguns dos perigos enfrentados.

O índice de mortalidade entre filhos de mães adolescentes é muito alto. Cerca de 20% da mortalidade infantil no Brasil decorre do óbito precoce de bebês nascidos de mães entre os 15 e 19 anos. Em 2017, o Grupo de Trabalho Intersetorial Federal (GTIF) do Programa Saúde na Escola (PSE), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), encaminhou a todas as escolas da rede pública de ensino do País questionário para a identificação de casos de gravidez na adolescência (dez a 19 anos).

Os resultados apontaram o seguinte cenário: 20.425 escolas públicas responderam ao questionário. Destas, 9.885 (48,4%) disseram que havia casos de gravidez em adolescentes matriculadas. Em relação às meninas grávidas, o total declarado foi de 34.644 estudantes. Destas, 3.890 (11,23%) abandonaram os estudos.

Gestação precoce diminui na cidade

Em Guarulhos o indicador de proporção da gravidez na adolescência caiu 3,57 pontos percentuais entre 2014 e 2019. Ou seja, dos 21.836 bebês nascidos vivos em 2014, 3.264 foram de mães adolescentes, o que equivale a 14,95%. Enquanto isso, em 2019 o total de nascidos vivos foi de 20.479. Destes, 2.328 eram de meninas entre dez e 19 anos (11,37%).

Para diminuir ainda mais essa proporção, o município conta com a estratégia #tamojuntogalera, ação intersetorial entre as secretarias da Saúde e de Educação que tem por objetivo ampliar o acesso dos adolescentes como um todo às unidades de saúde, fortalecendo vínculos com as equipes da área médica, incentivando o protagonismo juvenil no desenvolvimento de projetos de promoção à saúde na perspectiva da garantia de direitos.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, as oficinas regionais de sensibilização de profissionais de saúde e educação ficaram suspensas, mas deverão ser retomadas ainda neste ano. Por meio dessa iniciativa busca-se compor, entre outras ações, a prevenção da gravidez na adolescência, reforçando o uso dos métodos anticoncepcionais, principalmente os de longa duração, por meio de discussões sobre sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos junto ao público jovem.

Problema de saúde pública

Diversos fatores concorrem para a gestação na adolescência. No entanto, a desinformação sobre sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos é o principal motivo. Questões emocionais, psicossociais e contextuais também contribuem, inclusive para a falta de acesso à proteção social e ao sistema de saúde, incluindo o uso inadequado de contraceptivos como métodos de barreira e preservativos.

A ausência de um projeto de vida, de expectativas de futuro, de educação, pobreza, famílias disfuncionais e vulneráveis, abuso de álcool e outras drogas, além de situações de abandono, abuso ou violência, bem como a falta de proteção efetiva às crianças e aos adolescentes, também fazem parte desse quadro.

Pesquisas sobre mudanças na vida social revelam que as gestantes adolescentes indicam a interrupção dos estudos como a uma das consequências mais frequentes. “Isso é preocupante porque o abandono escolar compromete não apenas a continuidade da educação formal, como resulta em menor qualificação e obstáculo nos seus projetos de vida. Portanto, a gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública que deve ser abordado de maneira abrangente”, explica Cristina Passeri, coordenadora da Saúde na Adolescência de Guarulhos.

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