Música brasileira, discotecagem, exposição de autorretratos e produtos confeccionados pelos próprios participantes marcaram a celebração dos 23 anos do Projeto Tear, realizada na quinta-feira (20), em sua sede, no Jardim Pinhal. Cerca de 90 pessoas passaram pelo espaço ao longo da festa, que reuniu usuários do serviço e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), moradores de Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e parceiros comerciais e institucionais.
A exposição de autorretratos dos artesãos, concebida como memória da comunidade construída ao redor do Tear, foi um dos destaques da comemoração. A iniciativa surgiu no ano passado, inspirada em “Operários”, obra de Tarsila do Amaral, como uma homenagem aos participantes do projeto. Com a chegada de novos integrantes e o desgaste das imagens anteriores pela incidência de luz, o trabalho foi refeito neste ano em outro espaço da sede, ampliando o registro de quem hoje compõe esta história.
A festa foi animada pela banda de música brasileira composta por usuários e profissionais ligados ao serviço, e pelo DJ Rômulo, participante da oficina de vitral. A celebração também colocou em evidência uma das principais características do Tear: a produção coletiva. Durante o evento, a loja permaneceu aberta com peças das nove oficinas de trabalho mantidas atualmente pelo projeto: culinária, mosaico, papel artesanal, tear e costura, serigrafia, encadernação, vitral, marcenaria e jardinagem.
A comercialização segue princípios da economia solidária e da autogestão. Ao final de cada mês, os integrantes de cada oficina avaliam as vendas e definem coletivamente o valor a ser dividido entre os participantes. Parte dos recursos permanece nos fundos das oficinas e em um fundo comum utilizado para a compra de materiais, equipamentos e investimentos em novas produções.
Atualmente, cerca de 150 pessoas participam das atividades do Projeto Tear. A estimativa é que aproximadamente 1,4 mil pessoas tenham passado pelo serviço desde sua criação há 23 anos. Há entre elas tanto participantes que acompanham o projeto desde o início quanto pessoas que chegaram há poucas semanas, mantendo em constante renovação a comunidade formada no espaço.
Trabalho e geração de renda
Integrante da RAPS de Guarulhos, o Tear utiliza o trabalho e a geração de renda como estratégias de cuidado e inclusão social para pessoas que encontram barreiras de acesso ao mercado de trabalho e a outros espaços de participação social. Para a equipe, chegar aos 23 anos representa resiliência, investimento árduo e construção coletiva.
Mesmo diante dos desafios enfrentados ao longo de sua trajetória, o projeto segue buscando novas formas de fortalecer a economia solidária. Entre as iniciativas recentes está a participação em ações de incentivo à formação de coletivos de trabalho associativo e de cooperação na RAPS, como a chamada pública desenvolvida pela Fiocruz Brasília, que busca fortalecer a articulação entre universidades públicas, institutos federais e a Rede de Atenção Psicossocial, apoiando iniciativas de inclusão social, geração de trabalho e renda e valorização da arte, da cultura e da memória nos territórios.
Projeto Tear
O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, na rua José Calixto Machado, 188, no Jardim Pinhal. A participação nas oficinas pode integrar o Projeto Terapêutico Singular (PTS), com encaminhamento pelos serviços da rede.



























