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Guarulhos reforça importância da escuta e do acesso ao cuidado no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

Divulgação / PMG

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado nesta quinta-feira (10), a Prefeitura de Guarulhos reforça uma das principais mensagens da campanha Setembro Amarelo deste ano: “Tem silêncio que é um pedido de ajuda”. A proposta é chamar a atenção para a importância de perceber mudanças de comportamento, abrir espaço para o diálogo e facilitar o acesso ao cuidado em saúde mental.

Em Guarulhos, o atendimento especializado à população adulta conta com quatro Centros de Atenção Psicossocial: CAPS II Bom Clima, CAPS II Osório César, CAPS II Arco-Íris e CAPS III Alvorecer. A rede municipal dispõe ainda de serviços especializados para crianças e adolescentes, pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas e o TEAR, ampliando o cuidado em saúde mental para diferentes públicos e necessidades.

Entre janeiro e agosto deste ano, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Adulto do município realizaram 3.253 acolhimentos, ante 2.259 no mesmo período de 2024. O crescimento é de aproximadamente 44%, com 994 acolhimentos a mais no período analisado.

O acolhimento é uma das portas de entrada para o cuidado nos CAPS. É nesse primeiro contato que a pessoa pode apresentar suas necessidades e ser ouvida pela equipe, que avalia cada situação e orienta o acompanhamento mais adequado.

Cuidado que transforma trajetórias

A importância desse acompanhamento aparece na experiência de quem utiliza os serviços. Aos 39 anos, a dona de casa R.H. conta que o CAPS teve papel importante tanto em seu tratamento em saúde mental quanto no enfrentamento da dependência de drogas. Ela relata ainda mudanças na relação com a família e com as pessoas ao seu redor e associa o serviço a sentimentos como alegria, amor, carinho e respeito. Para R.H., quem está passando por um momento difícil pode encontrar no CAPS um espaço de ajuda e cuidado.

Também usuária do serviço, D.R.M.D., de 44 anos, afirma que o acompanhamento tem contribuído para que desenvolva mais segurança, coragem e capacidade para enfrentar os desafios do dia a dia.

Já J.J.M.I., de 60 anos, ajudante de serviços gerais, realiza tratamento há vários anos e percebe uma melhora progressiva desde que passou a ser acompanhado pelo CAPS. Ele destaca a importância do suporte oferecido pelos profissionais e relata sentir-se bem frequentando o serviço. Para ele, o acompanhamento teve impacto significativo em sua vida e a principal mensagem para quem também enfrenta dificuldades é buscar ajuda.

Para Dalva Lúcia Romeu, gerente do CAPS II Osório César, esses relatos traduzem a importância de um cuidado baseado na escuta e no acolhimento. Trabalhar com saúde mental, segundo ela, vai além do exercício profissional e envolve acolher histórias, ouvir sem julgamentos e acompanhar pessoas em momentos de transformação. Para ela, é gratificante perceber que, por meio do cuidado, da escuta e do acolhimento, é possível contribuir para que alguém se conheça melhor, encontre novos caminhos e volte a enxergar possibilidades.

Começar uma conversa pode ser o primeiro passo

A campanha municipal deste ano busca lembrar que nem sempre uma pessoa em sofrimento conseguirá expressar claramente aquilo que está vivendo. Mudanças importantes no comportamento, maior isolamento, perda de interesse por atividades habituais ou alterações na forma de agir e se relacionar podem indicar que alguém precisa de atenção e acolhimento.

Nesses momentos, não é necessário ter todas as respostas. Aproximar-se, perguntar como a pessoa está, oferecer espaço para que ela fale e ouvir sem julgamentos são formas de cuidado. Quando necessário, ajudá-la a chegar ao atendimento profissional também pode fazer diferença.

Em Guarulhos, pessoas que necessitam de cuidado em saúde mental podem procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações que demandem atendimento imediato, a orientação é buscar um serviço de urgência e emergência ou acionar o Samu pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo número 188.

Tem silêncio que é um pedido de ajuda. Começar uma conversa também pode ser uma forma de cuidado.