‘Cabelos carrapichos, pois pretos são todos iguais’: Prisão de jovem após reconhecimento por foto é questionada pela família

No dia 22 de fevereiro, Marcos Coelho, de 30 anos, chegava em casa, na zona leste, após uma partida de futebol. Ele foi abordado por policiais militares que o informaram que seria uma abordagem de rotina. No entanto, a abordagem de rotina foi concluída com uma pena de cinco anos de prisão por um crime que não há provas que ele cometeu.

Segundo familiares, Marcos foi reconhecido por um policial referente a um furto em uma residência em fevereiro do ano passado. Imagens obtidas pela família mostram dois jovens dentro do imóvel. A questão é que o suspeito apontado como sendo o Marcos, não possui nenhuma característica que indique que foi ele, exceto por ambos serem negros.

“No dia do crime o Marcos estava comigo. Tinha sido o chá de bebê da filha dele no dia anterior e nós estávamos levando as coisas do Tatuapé para a casa da mãe da bebê, na Cidade Tiradentes. A grande questão é que como o crime aconteceu há mais de um ano, não existem câmeras de segurança que provem onde ele estava no momento. Mas, as imagens da câmera de segurança da casa que foi furtada são claras: não era o Marcos!”, destacou Evelyn Coelho, irmã de Marcos.

Segundo ela, Marcos foi julgado única e exclusivamente pelo reconhecimento de um policial feito através de uma foto. “O Marcos e o cara que cometeu o crime são diferentes. Estatura, tom de pele, tipo físico. As diferenças entre eles são nítidas, mas em nenhum momento isso foi levado em consideração. As semelhanças entre ambos que foram faladas são os olhos e os cabelos carrapichos, pois para eles pretos são todos iguais”, destacou.

Após o julgamento, Marcos foi condenado a cinco anos e 10 meses de prisão e está cumprindo numa penitenciária do interior do estado. “Por um assalto que ele não cometeu! Nas imagens e vídeos da casa é possível ver que não se trata do Marcos e o juiz não levou isso em consideração”, disse.

No começo do mês um recurso foi julgado e, mesmo com dois votos a favor da liberdade de Marcos e um contrário, o juiz manteve a sentença proferida. “Há muitas inconsistências. Eles alegam que o crime foi às 22h, a dona da casa, em depoimento disse que chegou às 21h e o imóvel estava revirado. As imagens das câmeras de segurança mostram que estava de dia quando dois homens entraram e furtaram a casa. O policial reconheceu o Marcos por uma foto e nada mais. Os desembargadores receberam a apelação em mãos com as fotos que mostram que não é o Marcos, ainda assim um votou para ele continuar preso e o juiz manteve a sentença”, explicou Evelyn.

“A prova apresentada pela autoridade policial que aponta ele como o outro rapaz do furto, seria uma condenação criminal em conjunto com o rapaz que invadiu o imóvel, nada mais. As provas apresentadas de conversas de WhatsApp e testemunhas sequer foram levadas em consideração pela polícia, pelo Juiz de 1ª Instância e pelo Tribunal de Justiça ao analisar o recurso da defesa. Além disso, o próprio telefone celular do acusado não passou por perícia para comprovar que na hora dos fatos estaria muito longe do local da invasão”, destacou o advogado do caso, Celso Regis Francisco Zaracho, do Escritório Regis & Zaracho Advogados.