A atuação de motoristas clandestinos voltou a provocar confusão no Aeroporto de Guarulhos. Na madrugada de terça-feira (6), para quarta-feira (7), uma briga envolvendo os chamados “arrastadores” foi registrada nas dependências do terminal. O episódio reacende um problema antigo e que, apesar de operações policiais e ações de fiscalização realizadas nos últimos meses, continua presente no maior aeroporto do País.
Os “arrastadores” são motoristas que atuam de forma clandestina no aeroporto, abordando passageiros diretamente nas áreas de desembarque para oferecer transporte sem autorização. Em junho, uma operação da Polícia Civil apontou que integrantes do grupo ofereciam falsas corridas de aplicativo ou táxi e, em alguns casos investigados, coagiam passageiros a pagar valores muito acima dos praticados pelos serviços regulares.
Para a Guarucoop, o novo episódio evidencia uma dinâmica que vem se repetindo no aeroporto: quando há uma operação policial ou uma fiscalização mais ostensiva, os clandestinos deixam temporariamente o terminal. Passados alguns dias, porém, as abordagens voltam a ocorrer e eles aumentam a quantidade de arrastadores.
Em 19 de junho, a Polícia Civil deflagrou a Operação Rapere para combater a atuação dos “arrastadores”. A investigação teve como ponto de partida a análise de cerca de 30 boletins de ocorrência e levou à identificação de suspeitos de integrar uma associação criminosa envolvida em abordagens irregulares e extorsões contra passageiros. Na ocasião, foram expedidos seis mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão.
Antes disso, em maio, a atuação dos clandestinos já havia provocado uma escalada de violência. Um desentendimento no aeroporto terminou em agressões e foi seguido por ataques a taxistas em diferentes pontos de Guarulhos e de São Paulo.
O vice-presidente da Guarucoop, Edmílson Americano, afirma que as ações realizadas até agora demonstram que é possível combater a atividade clandestina, mas critica a falta de uma presença permanente das autoridades.
“Quando acontece uma operação mais forte, eles desaparecem. Passam alguns dias e começam a voltar, até que a situação fique novamente fora de controle. Não adianta agir apenas depois que acontece uma briga, uma ameaça ou quando algum passageiro é vítima. É preciso uma ação permanente das autoridades para impedir que essas pessoas continuem atuando livremente dentro do aeroporto”, afirma Americano.
O dirigente também questiona o tratamento dado aos taxistas legalizados em investigações decorrentes de conflitos anteriores. Segundo ele, profissionais que trabalham de forma regular e cumprem as exigências para operar no aeroporto acabam sendo envolvidos em apurações relacionadas a desentendimentos com clandestinos, enquanto o problema que está na origem dos conflitos permanece sem uma solução definitiva.
“É difícil para o taxista entender por que ele, que trabalha legalmente, é chamado para responder por episódios antigos enquanto os clandestinos continuam circulando e abordando passageiros. Não estamos defendendo confronto e muito menos qualquer tipo de violência. Sempre orientamos nossos cooperados a procurar as autoridades. Mas justamente por isso esperamos que as autoridades policiais façam a parte delas e afastem definitivamente do aeroporto quem atua de forma ilegal”, diz Americano.
A Guarucoop reforça que não compactua com agressões, retaliações ou qualquer tentativa de fazer justiça pelas próprias mãos. A orientação aos cooperados é evitar confrontos e acionar os órgãos responsáveis sempre que houver ameaça, abordagem irregular ou outra situação de risco.
A cooperativa também destaca que a discussão desta madrugada não envolve os motoristas de aplicativos regularmente cadastrados e autorizados a realizar embarques no aeroporto. A preocupação é com pessoas que atuam clandestinamente, abordando passageiros diretamente nos terminais e se apresentando como alternativa aos serviços regulares.



























