Com o objetivo de promover a inclusão social, ampliar as oportunidades de aprendizagem e assegurar o direito à educação dos estudantes com deficiência da rede municipal, a Secretaria de Educação realizou nesta segunda-feira (21), no teatro Adamastor, o lançamento da parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio do Programa de Educação Paralímpica.
O evento reuniu cerca de 450 participantes, entre diretores escolares, professores de Educação Física e do Atendimento Educacional Especializado (AEE), diretores de departamentos da SE e representantes do CPB.
A inciativa visa a promoção da inclusão por meio do esporte e à formação de professores como ferramenta de transformação social e democratização do acesso à atividade física no ambiente escolar. Atualmente, a rede municipal de ensino atende mais de 8 mil estudantes com deficiência e conta com 167 professores de Educação Física, garantindo que cada estudante possa participar, aprender e desenvolver suas potencialidades com o suporte necessário.
A formalização da parceria foi marcada pela assinatura do contrato pelo coordenador do Programa de Educação Paralímpica do CPB, David Farias Costa, pelo secretário de Educação, Rafael Carvalho, pela subsecretária de Gestão Pedagógica, Minéa Paschoaleto Fratelli, e pelo subsecretário de Gestão Administrativa, Marcelo Oliveira da Silva.
Nesse contexto, a Prefeitura de Guarulhos reforça o compromisso de oferecer uma educação inclusiva que valoriza as diferenças, além assumir o compromisso de estruturar a formação e a qualificação contínua de professores para efetivar esse direito.
Programa de Educação Paralímpica
Com a parceria da Prefeitura de Guarulhos, o programa busca descentralizar o conhecimento e qualificar quem atua diretamente no desenvolvimento esportivo e educacional dos estudantes com apoio dos professores. Para o secretário Rafael Carvalho, a assinatura da parceria não é apenas um ato simbólico, mas o ponto de partida para a transformação real das salas de aula, garantindo que as práticas do comitê impactem positivamente a vida das crianças.
O Comitê Paralímpico Brasileiro estrutura suas ações em duas frentes principais: a formação técnica de profissionais (treinadores e árbitros) para o alto rendimento, em parceria com confederações e o próprio Comitê; e a capacitação voltada à inclusão escolar, focada em educadores físicos e profissionais da educação especial para promover uma prática mais consciente e transformadora.
O objetivo dessa iniciativa é transformar esse cenário e romper barreiras por meio da educação. Os professores terão a oportunidade de aprofundar esse conhecimento por meio de diversos cursos assíncronos disponíveis na plataforma. O curso “Movimento Paralímpico: Fundamentos Básicos do Esporte” é o primeiro a ser ofertado a toda a rede. Este conteúdo é fundamental, pois abre a possibilidade de promover a inclusão por meio da prática esportiva. Essa é a avaliação de David Farias Costa, que atua desde 2018 no planejamento e gerenciamento de cursos de formação, qualificação e atualização do programa do CPB.
Roda de conversa
A formação contou com uma roda de conversa para aprofundar o debate sobre acessibilidade, direitos e a eliminação de barreiras no ambiente educacional, mediada por Patrícia Matildes, responsável pela divisão da Diversidade e Inclusão do Departamento de Orientações Educacionais e Pedagógicas (DOEP) da SE.
O bate-papo reuniu o subsecretário Marcelo Oliveira que esteve à frente de todo processo de implementação da parceria, com especialistas da área esportiva: David Farias Costa; William Chagas, professor de Educação Física Especial e Adaptada, que atua como coordenador do Festival Paralímpico e membro do Circuito Esportivo e Recreativo Adaptado de Guarulhos (CERAG); e Bruno Sartori, professor de Educação Física, responsável pelo esporte adaptado na Casa de David e coordenador do Festival Paralímpico em Guarulhos. Para Marcelo, a resolução de problemas sociais e a implementação de políticas públicas eficazes dependem da união de esforços entre o Poder Público, instituições e especialistas.
Protagonismo e representatividade
A programação contou ainda com apresentações que emocionaram o público, incluindo atividades físicas e musicais. O Projeto de Integração Pró-Autista (PIPA) apresentou uma atividade rítmica e expressiva com 22 crianças atendidas pelo centro terapêutico especializado no acolhimento ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). O projeto é mantido pela Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo.
Patrícia Matildes avaliou que houve a oportunidade de contemplar os estudantes engajados em atividades físicas que integram música e diversos equipamentos, como pernas de pau, balanceadores e cordas. Para ela, a primeira reação costuma ser de espanto, o que faz questionar a própria capacidade e perceber o quanto o desconhecimento e o capacitismo por muito tempo criaram uma distância com essas possibilidades. As apresentações como as que foram desenvolvidas no evento comprovam que todos são capazes de aprender mesmo com tantos estímulos, desde que tenham condições adequadas e que sejam feitos os arranjos necessários no processo pedagógico.
A Banda Música do Silêncio também se apresentou sob a regência do Maestro Fábio Bonvenuto. Com mais de 26 anos de história e dedicação, o grupo é formado por 20 integrantes cegos e com outras deficiências, integrando o programa de inclusão musical do Conservatório Municipal de Guarulhos, da Secretaria de Cultura.
No encerramento do encontro, a subsecretária de Gestão Pedagógica, Minéa Fratelli, destacou que as experiências compartilhadas demonstraram a potência e a capacidade real das crianças com deficiência, provocando os educadores a mudarem seu olhar.
Os cursos disponíveis no ambiente de aprendizagem do programa de Educação Paralímpica estão disponíveis no seguinte site: www.educacaoparalimpica.org.br.



























