Uma fraude envolvendo a troca de etiquetas de mercadorias facilitou o furto de uma carga de placas de vídeo avaliada em R$ 2,5 milhões no Aeroporto de Guarulhos. O crime ocorreu em 20 de setembro e envolveu quase meia tonelada de equipamentos de alta tecnologia que deixou o terminal de cargas sem registro oficial de saída. Um suspeito de 26 anos foi preso durante as investigações, que buscam identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
A carga havia sido importada dos Estados Unidos e tinha como destino final uma empresa de tecnologia localizada em Maringá, no Paraná. Os equipamentos foram retirados antes de a Receita Federal liberar oficialmente a importação. A fraude teria permitido que um caminhão autorizado a entrar no terminal de cargas do aeroporto saísse transportando as placas de vídeo, embora a retirada estivesse associada a uma mercadoria de valor inferior.
Imagens de câmeras de segurança registraram a movimentação dos volumes por operadores de empilhadeira e a autorização para a saída do caminhão por um conferente. A apuração interna conduzida pela concessionária responsável pelo aeroporto apontou que a troca das etiquetas teria sido fundamental para viabilizar o desvio da carga. Segundo os levantamentos, os funcionários que participaram dos procedimentos de movimentação e liberação podem não ter atuado diretamente no crime.
O esquema chamou a atenção pela forma como a mercadoria conseguiu deixar o maior terminal de cargas aéreas do país sem que a saída fosse oficialmente registrada. Em 2025, o terminal movimentou mais de 300 toneladas de mercadorias. Os produtos que chegam ao aeroporto por meio de voos internacionais ou nacionais passam por procedimentos de controle e, posteriormente, são transportados por caminhões até seus destinos finais.
Placas de vídeo foram anunciadas na internet
Parte dos equipamentos furtados foi identificada em anúncios publicados em uma plataforma de compra e venda pela internet. As placas de vídeo são componentes de alto valor, utilizados principalmente em computadores voltados a jogos e em sistemas que exigem elevado poder de processamento, incluindo aplicações de inteligência artificial.
As ofertas virtuais ajudaram os investigadores a chegar a Bruno Emanuel Gonçalves Christofone, de 26 anos, morador de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo. Ele foi preso após ser localizado durante as apurações relacionadas à comercialização dos produtos desviados do aeroporto de Guarulhos.
Segundo as informações do caso, o suspeito alegou à polícia que havia comprado as placas de vídeo pela internet com a intenção de revendê-las. Ele também afirmou ter retirado o anúncio depois de tomar conhecimento da reportagem televisiva sobre o furto da carga milionária.
Além dos produtos encontrados nos anúncios iniciais, outras placas de vídeo pertencentes aos mesmos lotes furtados foram identificadas em publicações feitas em uma rede social. A descoberta ampliou as linhas de investigação sobre a circulação dos equipamentos e a possível participação de outras pessoas na comercialização das mercadorias.
Polícia busca identificar todos os envolvidos
A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer como a troca das etiquetas foi realizada, quem organizou a retirada dos equipamentos e se outras pessoas participaram do esquema dentro ou fora do terminal de cargas do Aeroporto de Guarulhos.
Os investigadores também apuram a origem dos produtos anunciados na internet e as circunstâncias em que o material chegou às mãos do suspeito preso. A identificação de outras placas pertencentes aos mesmos lotes pode ajudar a reconstruir o caminho percorrido pela carga após deixar o aeroporto.
O caso expõe a dimensão do prejuízo provocado pelo desvio de mercadorias de alto valor e a importância dos mecanismos de controle de acesso, identificação e liberação de cargas no terminal de Guarulhos. As investigações seguem em andamento para determinar as responsabilidades individuais e esclarecer todos os detalhes da fraude.




























