Com pandemia, mortes na cidade de São Paulo estão 28% acima da média histórica

Cemitério da Vila Formosa - covas abertas no dia 1º de abril, e ocupadas no dia 1º de maio — Foto: André Penner/AP

O número de mortes na cidade de São Paulo disparou desde o início da pandemia do coronavírus até o dia 25 de abril, e está 28% acima da média histórica, segundo análise exclusiva feita para o G1 pelo epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, com base em dados capturados do Portal da Transparência do Registro Civil pelo engenheiro de software Marcelo Oliveira.

Para os especialistas, a taxa revela a subestimação das estatísticas oficiais.

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São Paulo, neste período da pandemia, teve 2.500 mortes a mais que a média histórica dos últimos quatro anos. Destas, 1.114 foram oficialmente causadas pela Covid-19. Outras 1.386 seriam por outras causas.

No entanto, para Lotufo, elas podem ter sido provocadas pelo vírus ou pelas consequências indiretas do impacto da covid na rede hospitalar. “A pandemia desequilibra o sistema de saúde”, diz Lotufo.

“Amplia as mortes por diversos outros tipos de doença, como ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais, além de gerar um custo também pelo adiamento no tratamento de doenças crônicas.”

Esse número de mortes acima da média histórica é conhecido entre os epidemiologistas como “excesso de mortalidade por todas as causas”.

Para realizar o cálculo, os dados de 2020 foram comparados à média municipal dos últimos quatro anos. De 2016 a 2018, as informações são oficiais, do Sistema Único de Saúde (SUS).

Apenas em 2019, ano para o qual os números ainda não estão consolidados, foram usados os dados também dos cartórios.

Além dessa ressalva metodológica (que pouco altera a média), há uma outra mais importante: o atraso nas informações disponíveis.

Legalmente, há um prazo de 24 horas para a família informar mortes ao cartório, mais cinco dias para o registro do óbito, além de outros oito para as informações serem enviadas à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional).

Há, portanto, pelo menos duas semanas de defasagem entre os dados informados no Portal da Transparência dos cartórios e a realidade.