Projeto gratuito de boxe ensina autodefesa para mulheres

Foto: Divulgação/Beto Social Clube

O projeto de boxe para iniciantes em parques e praças, que surgiu como uma ideia de empoderar mulheres através da autoestima, redução de estresse e da autodefesa, funciona de forma gratuita em locais públicos da cidade, como parques, praças, escolas públicas e núcleos esportivos.

Carlos Alberto Machado, criador e professor do projeto, conhecido como Beto, explica que, apesar de ser uma iniciativa recente, a ideia existe há seis anos “Inicialmente a proposta era alcançar mulheres que sofriam algum tipo de violência, mas acabei abrangendo para todo mundo, para dar uma nova visão ao boxe. Nele os alunos aprendem a se defender, movimentar e golpear, sem a necessidade de lutar”, disse.

Desde que foi criado, já passaram pela aula cerca de 438 pessoas, sendo diariamente uma média de 30 a 60 alunos. “Já participaram mulheres e homens de qualquer idade, cadeirante, amputado, pessoas com síndrome de Down e autismo. Nós temos acesso para todos”, conta Beto.

Benefícios para os alunos

Para as alunas do projeto as aulas auxiliam principalmente na autoestima e na redução do estresse. Como foi o caso de Angélica de Oliveira, de 41 anos. “Além de melhorar o condicionamento físico, a aula me dá o sentimento de que sou capaz. Eu saio alegre, disposta, me sinto empoderada, animada e, principalmente, com noção de defesa pessoal, que é um elemento muito importante para nós, mulheres. É um projeto que merece um olhar carinhoso da cidade”, diz.

Assim como ela, Thais Rezende, de 30 anos, e Denise Pereira, de 40, que procurou as aulas como auxilio à saúde mental, contam que o projeto foi essencial para que superassem as dificuldades que estavam passando. “Quando eu conheci o projeto estava com ansiedade e depressão. As  aulas e o jeito que o professor tem para incentivar as pessoas, foram essenciais para a minha melhora”, disse Denise. Enquanto que Thaís procurou o projeto para sair do sedentarismo. “O Beto é  muito incentivador e me fez acreditar que conseguiria, e eu consegui”, contou.

Além dela, outra aluna do projeto, Marcia Moura, de 49 anos, que também procurou o projeto com intuito de sair do sedentarismo, explica que durante as aulas se sente desafiada a superar seus limites, medos e dificuldades. “ O Beto sempre nos desafia a provarmos para nós mesmo que conseguimos”, diz.

Durante o período em que participa das aulas, a aluna foi infectada pela covid-19, que gerou uma série de sequelas. Para ela, tanto o projeto quanto o professor e os participantes foram importantes para que passasse por esta fase. “Eu tive covid, fui internada e quase morri, mas superei e tive a felicidade de ter minha família e amigos do boxe me ajudando a cada dia. Quando retornei para casa, foi de cadeira de rodas e o Beto e as meninas me ajudaram muito”, conta Marcia que, após ser curada da doença, por se sentir vitoriosa, saiu do hospital com as luvas de boxe.

Para alguns alunos, o projeto é também um incentivador para que encontrem em si um espaço para a luta. Para Ana Paula, de 42 anos, as aulas, que inicialmente eram só curiosidade, levaram a procurar outras modalidades de artes marciais. Hoje, apesar de não participar de competições, é graduada em kickboxing.

O projeto funciona de forma autônoma, em busca de leis de incentivo ao esporte e patrocinadores que estejam dispostos a auxiliar na expansão das aulas. Para participar o interessado deve estar presente no local da aula e estar apto para praticar esporte físico, para realizar o cadastro de inscrição. As aulas são gratuitas voltadas para o público de todas as faixas etárias. Para mais informações sobre datas, locais e horários de aula, o interessado deve acompanhar o projeto através do Instagram (@beto_social_clube). Semanalmente, as aulas acontecem no Parque Fracalanza, as terças-feiras e quintas-feiras às 19h e também aos sábados às 08h.

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