Em vídeo nas redes sociais, Miss Guarulhos denuncia discriminação sofrida durante o Miss São Paulo

Foto: Reprodução/redes sociais

A Miss Guarulhos, Ieda Favo, afirma que foi vítima de discriminação e constrangimento durante sua participação no Miss São Paulo, evento de premiação das representantes das cidades paulistas. Etapa eliminatória para o Miss Universo, o evento aconteceu no último sábado (02), na cidade de Ribeirão Preto, e foi transmitido para 196 países. Única candidata negra, Ieda ficou entre as finalistas no Top 3 e foi vice-campeã do concurso.

Em seu perfil no Instagram, Ieda se dirige aos seguidores para denunciar o modo como foi tratada pela equipe de produção durante o confinamento das participantes, antes da noite de premiação, o que deixou a jovem guarulhense consternada diante de situações veladas de discriminação.

“Nunca me senti tão discriminada em toda a minha vida como aconteceu nos últimos dias, desde o primeiro contato, muito rude e hostil por parte da organização, algumas pessoas me trataram muito mal e isso acabou se estendendo durante o confinamento”, desabafou a miss.

No vídeo, Ieda fala ainda da agressão física sofrida no momento da transmissão ao vivo, por parte do coreógrafo do concurso, que a segura pelo braço, forçando-a a trocar de posição. “Ele me tocou de forma forte, dura, eu passei por muitos momentos de minha infância e adolescência que me geraram traumas. E um homem daqueles me segurar de forma rude me remeteu ao meu passado. Fiquei extremamente abalada, fiquei extremamente desnorteada. Ele fez isso só em mim, em nenhuma outra candidata”, disse.

Para Ieda, ficou evidente a exposição proposital por parte da produção com vistas a eliminá-la, tanto para os expectadores quanto para os jurados que estavam ali para avaliar as participantes. Outro fato que chocou a miss Guarulhos foi a pergunta feita de última hora durante o Top 3, que não constava de uma lista de 13 perguntas que seriam feitas às participantes.

“Eu sempre ficava me perguntando o porquê, quais eram as justificativas para tais tratamentos? Era por conta da minha cor que eu era a única negra, era por conta da minha condição social ou por conta da minha cidade? Por que eles estavam me tratando daquela forma?”, desabafa.

Ieda tornou-se Miss Guarulhos em dezembro de 2020 e permanecerá até o final de 2021. Durante esse período, levou muito mais que a representação da beleza feminina para além dos muros da cidade, mas também a responsabilidade social, colocando-se à disposição para servir a população mais vulnerável.

A jovem de 26 anos é natural de Ituberá, na Bahia, e cresceu na comunidade adjacente à São Rafael, em Guarulhos. Ieda é formada em Gestão Comercial pela Universidade Metodista de Guarulhos.

O percurso de Ieda, sua trajetória junto à comunidade da Vila São Rafael, em Guarulhos, as dificuldades e obstáculos vencidos e o desejo de tornar essa história um estudo de caso para problematizar a narrativa meritocrática, segundo a qual todos têm a mesma chance de alcançar seus objetivos, é mote de um minidocumentário com produção local, sob direção do guarulhense Rodrigo Marcelo Medrado, conteúdo com previsão de lançamento neste mês de outubro.