Sem Zona Azul, os ‘flanelinhas’ tomam conta das vias da cidade e constrangem motoristas

Antônio Boaventura

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Desde o encerramento do contrato com a empresa que administrava o sistema de estacionamento rotativo, a Zona Azul, na cidade de Guarulhos no final do mês de março de 2018, os motoristas estão enfrentando dificuldades para estacionar seus veículos em vias da região central e também nas proximidades do Paço Municipal.

Sem qualquer legislação municipal que possa proibir a atuação dos flanelinhas, os motoristas acabam refém das ações destes grupos. A abordagem chega a ser constrangedora, além de exigir o pagamento pela suposta proteção ao veículo. Não existe um valor exato, porém, mesmo com a suspensão do pagamento pelo estacionamento rotativo, eles cobram os valores antes em vigência.

Já a administração pública afirma que não tem como coibir esse tipo de ação por não ter amparo legal da lei. Como na capital paulista, a Polícia Militar é quem cuida desse tipo de  fiscalização em grandes eventos e em locais de grande circulação, mas mesmo assim o PM interage caso a pessoa que se sentir coagida e denunciar o “flanelinha” pelo delito.

“É uma situação que acontece nas barbas da Prefeitura e ninguém toma qualquer providência para que resolva este problema. Não é possível que ninguém veja esta situação. Caso você não aceite o pagamento, ao voltar o carro pode estar riscado ou com algum outro acessório danificado. É preciso providências”, disse o analista de sistemas Cláudio Teodoro, de 46 anos.

Além das vias próximas da prefeitura, o praça Getúlio Vargas, na região Central, é outro ponto de concentração dos flanelinhas. O HOJE apurou que naquele local é realizado um rodízio entre os que atuam nesta condição. Cada lado da via possui um responsável por organizar o estacionamento rotativo. Procurada, a Prefeitura optou por não se pronunciar sobre o assunto.

A Câmara Municipal aprovou no ano passado proposta que torna ilícita a ação de “flanelinhas”, que supostamente trabalham como vigilantes de automóveis em toda cidade, porém, ainda não foi regulamentada pelo prefeito Guti (PSB). Caso o projeto seja sancionado, aquele que for flagrado exercendo esta atividade pode ser multado em R$ 1.500 e R$ 3 mil na reincidência.

Foto: Ivanildo Porto