Cidade de Cunha vai muito além das cerâmicas e lavandas

Foto: Jessica Aquino

Antes famosa por suas belas e requintadas obras produzidas em cerâmica e, posteriormente, por suas produções de lavandas, dois nichos que tornaram a cidade famosa em todo o Brasil nas últimas décadas, agora Cunha vem sendo descoberta pelos amantes da natureza. 

Isso porque a estância climática localizada no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, a 208km de Guarulhos, é repleta de cachoeiras e tem um “mar de montanhas” com paisagens cinematográficas, dignas de telas de descanso de computador. As cachoeiras e a Pedra da Macela são alguns dos principais atrativos turísticos. 

O acesso até a Pedra da Macela é no km 66 da rodovia Cunha–Paraty. Após cinco quilômetros chega-se à porteira que dá acesso à caminhada até o pico. São mais dois quilômetros de subida íngreme, a pé, em estrada asfaltada. 

Após chegar ao pico de 1.840m de altitude, a sensação é de que cada passo valeu à pena, pois é possível contemplar e deslumbrar a bela paisagem de onde se avista a cidade de Paraty, a baía da Ilha Grande e parte de Angra dos Reis, todas no estado do Rio de Janeiro; e a região serrana que circunda Cunha.  

No local não há banheiros nem alimentação, portanto, é recomendável levar lanches, água, protetor solar e usar tênis, roupas confortáveis e bonés ou chapéus. Os guias locais não recomendam o passeio se o céu não estiver totalmente claro, sem nuvens, pois não é possível ver a paisagem com o tempo fechado. 

A guia turística local Águida Ferraz, registrada no Cadastur e habilitada para acompanhamento em trilhas, city tour, roteiros gastronômicos, ecológicos e rurais, pode ser contata para o passeio na Pedra da Macela e outros atrativos de Cunha por meio do telefone (12) 99652-3582. 

Cachoeiras 

Em uma área de 10 mil², cercada por 53 eucaliptos que medem entre 40m a 50m de altura, o Canto das Cachoeiras é um complexo turístico e gastronômico que possui seis quedas d´águas claras e cristalinas, propícias para um banho revigorante.  

Localizado a cerca de 20 minutos do centro e a 10 minutos do Lavandário, possui várias trilhas de fácil acesso que levam às pequenas cachoeiras, que formam verdadeiras piscinas. O lugar possui infraestrutura segura e boa sinalização. 

Em meio a muito verde, uma ponte feita em madeira pode ser usada para contemplar o cenário mais de perto. O único som possível de ser ouvido é da queda das águas e do canto das diversas espécies de pássaros existentes por ali. Um lugar perfeito para quem quer se desconectar e fazer uma imersão na natureza. 

Se bater a fome, um quiosque na entrada das cachoeiras disponibiliza bebidas, lanches, porções e sorvetes. Mas se a fome for ainda maior, aproveite para saborear o cardápio do bistrô do empreendimento, que funciona das 12h às 15h, com destaque para as massas artesanais, que podem ser apreciadas em um deque de madeira com vista para a natureza. Os pratos são produzidos com ingredientes da região. 

Já a Cachoeira do Pimenta é umas das mais bonitas e visitadas pelos turistas aos finais de semana e feriados. Possui um desnível de 70 metros e é formada por várias quedas que podem ser avistadas da estrada de acesso. As várias piscinas naturais formadas entre as pedras a tornam uma boa opção para banho. 

No alto da queda situa-se a barragem onde é captada a água que abastece a cidade. No passado, as águas movimentavam as turbinas da usina que gerava a energia elétrica. O local foi transformado em Mirante Ambiental e Museu da Energia. Além disso, há uma trilha que leva até a cachoeira e à antiga usina hidrelétrica. 

O acesso à Cachoeira do Pimenta é mais fácil pela Estrada do Monjolo. São dois quilômetros asfaltados e mais 10km em estrada de terra em condições razoáveis, mas a paisagem pelo caminho vale uma parada para apreciar e tirar muitas fotos. 

Você pode deixar o carro e descer por uma pequena trilha que dá acesso a diferentes pontos da cachoeira até a barragem ou descer de carro até a base da cachoeira onde fica a usina hidroelétrica desativada. 

Lavandas e ateliês de cerâmica ainda fazem a fama de Cunha 

Os ateliês de cerâmica, por muitos anos, fizeram a fama de Cunha, colocando-a no roteiro turístico nacional. Alguns anos depois, os campos de lavanda de O Lavandário alavancaram o destino para o resto do país e, a partir de 2015, o Contemplário consolidou de vez o cultivo da lavanda como um dos principais atrativos turísticos da cidade.  

No Contemplário a entrada é gratuita e, além de lavandas, também são cultivadas outras espécies de plantas, como alecrim, capim limão, citronela e diversas plantas aromáticas. O cenário é deslumbrante e muito requisitado para ensaios fotográficos. A propriedade permite os cliques sem custo, mas somente durante a semana, dentro do horário de funcionamento, mediante reserva prévia. 

É possível caminhar pelas plantações, registrar maravilhosas fotos entre as lavandas, em um lugar perfeito para contemplação, como o próprio nome do lugar sugere.  

De acordo com o proprietário Henry Villar, toda safra é destilada em laboratório próprio e utilizada na produção artesanal e em pequena escala de sabonetes aromatizantes, repelentes e perfumes. 

Todos esses produtos são vendidos em uma loja instalada na entrada da propriedade, além de artesanatos e outros produtos produzidos na região, como o famoso hidromel. Após fazer as comprinhas, experimente um cafezinho na cafeteria anexa à loja. 

Estrada Cunha-Paraty é um atrativo à parte 

Cercado por quatro serras (do Mar, Bocaina, Mantiqueira e Quebra-Cangalha), o município de Cunha ainda é cortado pela Estrada Real e também é famoso por possuir uma das mais belas estradas do país, a conhecida Cunha-Paraty, que se inicia no lado fluminense a partir da rodovia Rio-Santos. 

A viagem é um atrativo à parte. Os primeiros sete quilômetros são marcados por pequenas subidas, descidas e trechos planos. A partir daí, as subidas tornam-se mais constantes, até atingir 1.450m de altitude, na divisa dos municípios. Ao longo do percurso, passa-se próximo às cachoeiras do Desterro, do Pimenta e do Mato Limpo, já em Cunha.  

Para quem segue viagem a pé, a cavalo e de bike há várias opções de hospedagem até a divisa dos municípios. Para quem vai descer a serra, a sugestão é parar próximo ao segundo marco do km 38 da Estrada Real, à esquerda, onde há um pequeno mirante natural e de onde se avista a bela baía de Paraty (RJ). 

Próximo ao km 41, a sugestão é sair da estrada à esquerda e conhecer a Cachoeira da Pedra Branca. No marco 208, há outro ponto que pode valer uma parada: a Igreja da Penha, onde está instalado um totem da Estrada Real. Este ponto também dá acesso à trilha do Caminho do Ouro. Para percorrê-la, é necessário contratar um guia.    

O final do trecho é plano até o centro histórico de Paraty. O último marco da Estrada Real está ao lado do Chafariz do Pedreira. No Brasil colonial, era pela atual rua Presidente Pedreira que os tropeiros e viajantes partiam a caminho das Minas Gerais e chegavam para seguir em direção a Lisboa. 

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