Odebrecht aponta pagamentos por caixa 2 de R$ 2 milhões para Almeida

Sem limites para impor seus desejos, o grupo Odebrecht também mantinha relações com o governo do PT em Guarulhos. E não mediu esforços para ter privilégios em seus interesses, que se deu de forma indireta via caixa 2. Este processo foi viabilizado durante as campanhas eleitorais de 2008 e 2012, que levaram o ex-petista Sebastião Almeida ao Paço Municipal. Delações apontam o pagamento de R$ 1,75 milhão para o ex-prefeito.

A empreiteira tinha como grande interesse a construção das estações de tratamento de esgoto da cidade. Segundo levantamentos realizados antes do processo eleitoral de 2008, Guarulhos tratava apenas 5% do esgoto (hoje menos de 3%). Este fato foi pauta para a criação de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público Ambiental.

“É uma cidade com mais de um milhão de habitantes, dentro da região metropolitana, e com 5% de esgoto tratado e tinha um TAC assinado com o Ministério Público Ambiental para tratamento do esgoto. Tinha um grande potencial para a Odebrecht”, relatou Guilherme Pamplona Paschoal, ex-dirigente da Odebrecht Ambiental.

De acordo com Pamplona, em nenhum momento Almeida rejeitou a proposta e pediu para que novas tratativas pudessem seguir com o marqueteiro Valdemir Garreta, responsável por campanhas do Partido dos Trabalhadores no estado de São Paulo. Contudo, o ex-dirigente revelou que as doações não podiam ser de realizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por que isso poderia atrapalhar os planos da empresa.
“As doações tinham que ser via caixa 2 por que nós, como possíveis prestadores de serviço, não podíamos fazer de forma oficial. O Fernando me instruía, eu ia ao candidato, informava o valor e o interesse da empresa”, explicou Guilherme.

Por fim, o delator revelou que a empreiteira estava disposta a fazer o processo de licitação para que pudesse de alguma forma levar vantagem sobre os possíveis adversários naquele certame, que mais tarde seria vencido pela OAS.

Reportagem: Antônio Boaventura
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Foto: Ivanildo Porto