Após esperar 40 minutos pelo Samu, família socorre criança que se afogou em obras do trecho Rodoanel Norte

Na tarde de último domingo (17), uma criança de 11 anos se afogou enquanto nadava em um trecho da obra do Rodoanel Norte, localizado na Estrada do Saboó, região do Jardim São João. De acordo com a família, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) teria sido acionado, porém, com a demora de 40 minutos, os próprios parentes socorreram o garoto a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São João através de uma carona obtida no meio da estrada.

“Foram 40 minutos esperando. Ligamos para o Samu e como não havia outra alternativa, paramos os carros no meio da estrada. Era a única coisa que nós tínhamos”, afirmou o montador de eventos Marcos Gomes Ferreira, que prestou socorro ao garoto no momento do afogamento.

O trecho onde ocorreu o acidente pertence às obras do Rodoanel Norte, mas segundo moradores, a empresa Dersa, responsável pela construção, realizou diversas escavações no local, e um dos grandes buracos foi preenchido com água, o que o transformou em um grande lago, atraindo diversas crianças.
Segundo a dona de casa Antônia Aparecida de Almeida, mãe do garoto, este foi o segundo afogamento no local. “Teve que acontecer uma segunda tragédia para eles começarem a tampar os buracos”, destacou, revelando que o filho segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Guarulhos (HGG), após transferência da UPA São João.

Saúde afirma que denúncia do Samu não procede

O HOJE entrou em contato com a Secretária de Saúde, que afirmou que a denúncia não condiz com o fato. “O Samu foi acionado para o atendimento dessa ocorrência às 14h02, ocasião em que o solicitante relatava afogamento de menor sem mais informações, com queda da linha na sequência. Imediatamente, a médica reguladora entrou em contato com o número que havia realizado o chamado e a pessoa que atendeu ao telefone informou que a vítima estava sendo removida naquele momento por terceiros. Portanto, a médica reguladora encerrou a ocorrência às 14h12. Vale observar que toda a conversa pode ser comprovada por meio de documento e gravação do Samu”.

Já a Dersa, que realizou o fechamento dos buracos após o ocorrido, disse que as escavações são pertinentes da obra e que todos os locais onde há construção são devidamente sinalizados e cercados. Quanto à questão da existência da água em uma das escavações, a empresa afirmou que o processo se dá por meio do afloramento do lençol freático.

Reportagem: Ulisses Carvalho
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Foto: Ivanildo Porto