Corinthians aceita proposta de clube japonês por atacante Jô

Na reta final do Campeonato Brasileiro, Jô, 30, falava sobre o sonho de ganhar a Libertadores em 2018. Ele era artilheiro do Corinthians que em seguida seria campeão nacional. Mas o desejo não deverá se concretizar.
O clube aceitou oferta de cerca de 11 milhões de euros (R$ 43 milhões) do Nagoya Grampus, do Japão, e Jô deverá passar por exames médicos na próxima semana.
Dessa quantia uma parte será paga ao intermediário do negócio, o empresário Giuliano Bertolucci, que também agencia a carreira do atleta.
A negociação foi iniciada há dois meses. O Corinthians não queria perder o centroavante, peça-chave nos títulos do Paulista e do Brasileiro, mas não viu alternativa.
O dinheiro será útil para aliviar o caixa do clube e dar fôlego financeiro para que Fabio Carille consiga reforços.
No orçamento para 2018 aprovado no início do mês pelo conselho deliberativo, o clube estimou superávit de apenas R$ 515 mil e arrecadação de R$ 282 milhões. É previsão quase igual à de 2017, quando a projeção aprovada foi de R$ 279 milhões.
Apesar dos resultados positivos em 2017, o clube teve problemas para manter a folha de pagamentos em dia.
Para o ataque, o Corinthians já contratou Junior Dutra, que estava no Avaí. Também tem interesse no colombiano Trellez, que disputou o último Brasileiro pelo Vitória.
Será preciso que Dutra e outros reforços surpreendam tanto quanto Jô.
DESTAQUE
Contratado em outubro de 2016, Jô chegou ao Corinthians para ressucitar carreira que estava fora dos trilhos. Bertolucci lhe telefonou para avisar que havia interesse do clube que o revelou em 2005, quando tinha 18 anos.
“Falei que podia fechar na hora. Não importava o valor [do salário”]”, ele disse à reportagem um ano depois.
Jô era visto com desconfiança, mas este era o padrão do Corinthians ao iniciar 2017. Um time que não era favorito a nada, dirigido por técnico novato, que havia passado nove anos como auxiliar.
Ele terminou a temporada com 25 gols em 61 partidas. Com 18, foi artilheiro do Brasileiro, ao lado de Henrique Dourado, do Fluminense. Virou líder do elenco. Segundo Fabio Carille, foi vital no momento em que a equipe oscilou no segundo turno e viu o título ser ameaçado.
“A experiência dele fez com que os mais jovens administrassem melhor a ansiedade”, disse o técnico.
Além dos títulos e das vitórias, Jô foi protagonista dos dois momentos mais polêmicos do Corinthians no ano.
Rasgou-se em elogios a Rodrigo Caio quando, na primeira semifinal do Paulista, em abril, o são-paulino confessou que o rival não havia feito uma falta. O árbitro Luiz Flavio de Oliveira cancelou o cartão amarelo dado a Jô. Seria o terceiro, que o suspenderia para a partida de volta.
Em setembro, fez o gol da vitória sobre o Vasco com o braço. Após o jogo, disse não ter percebido onde a bola bateu. Irritou-se com as acusações de hipocrisia.
Quando a temporada se aproximava do fim, disse que pensava em continuar no Corinthians e que o dinheiro não seria o mais importante:
“Hoje eu vejo o que é melhor para a minha família. O clube abriu as portas para mim, paga o meu salário e faz com que eu consiga colocar comida dentro de casa. Não vejo só o dinheiro. Tem um contexto todo. Tudo o que for vontade da minha família e de Deus, vou priorizar.”

(Folhapress)
Fonte: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

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