Oposição aposta em plano B, mas PT resiste em abrir mão de Lula

BRASÍLIA, DF, 24.04.2017: PT-REUNIÃO - O ex-presidente Lula em evento organizado pelo PT para discutir propostas para a economia brasileira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Diante da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em segunda instância, nesta quarta-feira (24), partidos da oposição apostam que o PT lançará um plano B para a disputa presidencial. O PT, no entanto, resiste em abrir mão da candidatura de Lula.
Para o deputado Sílvio Torres (SP), tesoureiro do PSDB, todos os partidos agora aguardarão a reação do PT diante da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Logo devem acenar com uma alternativa. A tendência é que esse favoritismo do Lula decline. As pessoas assistindo três juízes confirmarem uma sentença é forte para qualquer um. Lula não está acima de Deus”, afirmou Torres à reportagem.
Em nota, o líder do PPS na Câmara, Arnaldo Jordy (PA), disse que a condenação de Lula em segunda instância foi “extremamente técnica e zelosa”, e seguiu a linha de que o PT deverá buscar um substituto para a disputa presidencial.

“O PT precisa substituir o Lula até porque quem sancionou a Lei da Ficha Limpa não pode desrespeitá-la”, afirmou o parlamentar no comunicado.
Para o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) o PT fica “esfacelado” com a condenação do ex-presidente.
“Ele [PT] não teria condições morais de apresentar um candidato depois de seu líder maior ter sido condenado em segunda instância e estar totalmente inelegível. O PT fica desarticulado, perde força”, afirmou o senador.

Para o presidente do PTB, Roberto Jefferson, a derrota de Lula na Justiça enfraquece o antagonista do ex-presidente, Jair Bolsonaro (PSC-RJ), e fortalece uma candidatura de centro.
Jefferson, que, em 2005, denunciou o esquema do mensalão durante o governo Lula, diz acreditar que o petista poderá se manter na corrida presidencial, mas disputará de maneira “precaríssima”.
“Se fizer mandado de segurança e registrar a candidatura em agosto, registra de maneira precaríssima porque ele sabe que, registrando assim, mesmo que passe em primeiro lugar para o segundo turno, os votos dele não serão computados”, afirmou à reportagem.

Segundo Jefferson, a manutenção de Lula na disputa pode se dar para ampliar as bancadas petistas na Câmara e no Senado.
“Sem o Lula à frente do PT, o partido perde nas bancadas do Senado e da Câmara. Talvez, no desespero, o PT lance o Lula para fazer bancada”, afirmou.

DE QUALQUER JEITO

O PT, no entanto, quer levar a candidatura de Lula até onde for possível.
O líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou à reportagem que seu partido não trabalha com plano B.
“De jeito nenhum [o PT começa a trabalhar um plano B]. Não tem clima para discutir outra alternativa. A militância não aceita. É Lula de qualquer jeito. Ninguém se atreve a colocar nome, plano B. A tendência é ampliação das mobilizações. Vai ter impasse institucional”, afirmou o deputado, para quem as esquerdas se aproximarão ainda mais em torno da candidatura de Lula.

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), também defendeu a manutenção da candidatura de Lula em nota.
Integrantes do partido se reúnem nesta quinta-feira (25) para discutir os próximos passos após a condenação.

(Folhapress)

Foto: Pedro Ladeira/Folhapress