A ideia de criar o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Guarulhos partiu de Heraldo Evans, um dos principais assessores do então prefeito Waldomiro Pompeo no ano de 1966. Até então os municípios recebiam uma verba anual do governo federal para investir em obras de água e esgoto, mas sua destinação não era obrigatória para esse fim – na maioria das vezes, o dinheiro acabava sendo gasto em obras inúteis, como fontes luminosas.

Evans se baseou em uma determinação do ex-presidente Humberto de Alencar Castelo Branco de que não haveria mais repasse de verbas para investimento em redes de distribuição e coletoras caso não houvesse nas cidades uma empresa específica para isso. Desta maneira, em 30 de junho de 1967 foi publicada a lei 1.287, criando o Saae Guarulhos com autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

O atual superintendente-adjunto Plínio Tomaz foi nomeado diretor-executivo do Saae naquele ano. Segundo ele, no início havia uma série de dificuldades por não haver estrutura e pessoal suficientes para dar início às ações. “Nosso maior desafio era construir redes de água e esgoto, o que demanda muitos investimentos, mas além do dinheiro federal conseguimos empréstimos do governo estadual e aos poucos fomos expandindo as redes”, afirma.

Além disso, cerca de 60% da população à época não pagava conta de água alguma, inclusive devido às ligações clandestinas. Tomaz conta que perdeu muitas amizades por começar a cobrar as contas. “Havia muita gente que pensava que a água era um direito adquirido, que era de graça. Vinham reclamar comigo inclusive. Na verdade, usar sem pagar é furto”, explica.

A primeira equipe de funcionários mapeou ponto a ponto a tubulação

No final da década de 1960, Guarulhos não possuía cadastro nem sequer estudo sobre redes de água e esgoto. A primeira equipe de funcionários do Saae teve que começar do zero, pegando um mapa da cidade e marcando os locais por onde passariam as principais tubulações, trabalho que levou em torno de um ano. Há cinco décadas a água de Guarulhos vinha principalmente do rio Ururuquara, do Tanque Grande e de uma adutora do Cabuçu localizada onde hoje é o Lago dos Patos, na Vila Galvão.

Tomaz conta ainda que quando as primeiras ligações de água começaram a ser feitas, dividiu a cidade em pequenos trechos para que empresas igualmente pequenas fizessem esse trabalho. Com isso, obteve uma economia de aproximadamente 30% nos contratos na comparação com a Sabesp, que contratava empresas de grande porte e que, portanto, cobravam mais caro por terem mais gasto com estrutura e pessoal.

Sabesp que, inclusive, foi criada exatos seis anos depois do Saae, em 29 de junho de 1973. Tomaz à época participava do Conselho Estadual de Água e Esgoto, que englobava autarquias de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, além de um corpo técnico. Eles votaram pela criação da Sabesp.

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