Novo secretário de Saúde quer contratar 130 novos médicos para o município de Guarulhos

O médico cardiologista José Mário Stranghetti Clemente, de 66 anos, assumirá nesta terça-feira (17), a Secretaria de Saúde de Guarulhos em meio à crise do coronavírus, que já deixou dois moradores da cidade infectados, segundo último boletim divulgado pela prefeitura nesta segunda (16).

Vereador entre os anos 2009 e 2012, ex-presidente da Comissão de Higiene e Saúde da Câmara Municipal e servidor público municipal há 36 anos, José Mário – em entrevista exclusiva ao HOJE, concedida em seu consultório na região central – contou que aceitou o desafio de comandar uma das secretarias mais importantes da administração municipal após uma reunião com o prefeito Guti e o líder do governo, vereador e também médico Eduardo Carneiro, no último domingo (15). “Vai ser um grande desafio”, afirmou.

O novo secretário de Saúde assumirá o cargo deixado pela médica Ana Cristina Kantzos, demitida pelo prefeito no início da noite da última sexta-feira (13). Em oito meses que restam do atual governo, ele disse que irá imprimir a marca do comprometimento e falou que uma de suas primeiras ações será aumentar o número de médicos nas Unidades Básicas de Saúde da cidade, uma das principais reclamações da população.

“Quero fazer esse chamamento públicos nos próximos 15 dias para termos, pelo menos, mais 130 médicos, sendo que 26 que virão do Programa Mais Médicos, do governo federal, que o Ministério da Saúde está disponibilizando em função da crise do coronavírus para várias cidades do país”.

Tão logo assuma a secretaria, irá enviar a Brasília o pedido para Guarulhos receber os 26 médicos do programa – “não podemos perdê-los”.

Veja os principais trechos da entrevista.

Por que o senhor decidiu assumir a Secretaria de Saúde de Guarulhos?

JOSÉ MÁRIO – Eu fui convidado pelo prefeito, que é meu amigo, e por Eduardo Carneiro (vereador e líder do governo na Câmara) em um momento delicado – faltam oito meses para o término do mandato e seis meses para as eleições municipais, e vivemos o problema do coronavírus. Eles me pediram para ajudar nesse momento e será um grande desafio. Eu amo a cidade e devo muito aos munícipes. A vida inteira trabalhei em Guarulhos e tenho a maior gratidão pela cidade.

Então, assumir a Saúde seria uma forma de retribuição?

JOSÉ MÁRIO – Não diria retribuir porque me sinto retribuído no dia a dia. Seria não declinar de um convite honroso. Já tive a oportunidade de ser vereador, fui o mais votado do PTN (hoje Podemos) à época, trabalhei arduamente na oposição ao PT, ajudando a colocar os tijolinhos na derrubada do PT em Guarulhos, e isso me traz muita satisfação.

Imagino, então, que a resposta ao convite foi um “sim” de imediato…

JOSÉ MÁRIO – Fui chamado para uma reunião no domingo (15). Eu já fui preparado, pois tinha certeza que essa reunião não era para me desejar um “feliz domingo’. Eu já tinha sentido o que seria e decidi, intimamente, que não iria declinar. Só faltam oito meses para o término do mandato e eu quero contribuir mais uma vez para a reeleição do meu grupo político.

Mas, o que dá para fazer em oito meses pela Saúde de Guarulhos?

JOSÉ MÁRIO – Dá para manter o que foi melhorado e melhorar aquilo que ainda não se conseguiu. E o meu grande objetivo é contratar mais médicos na rede pública. Isso é a maior crítica da população e um imenso desafio para mim. Faltam médicos, principalmente na atenção básica (clínicos, pediatras, ginecologistas).

Sua ideia seria duplicar o número de médicos nas unidades de saúde de Guarulhos?

JOSÉ MÁRIO – Não, e nem dá porque nós temos a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas eu posso – do jeito que as coisas estão com essa crise – contratar de forma emergencial. Quero fazer esse chamamento públicos nos próximos 15 dias para termos, pelo menos, mais 130 médicos, sendo que 26 que virão do Programa Mais Médicos, do governo federal, que o Ministério da Saúde está disponibilizando em função da crise do coronavírus para várias cidades do país.

O senhor assume em um momento atípico, com essa crise do coronavírus. Como está o quadro em Guarulhos?

JOSÉ MÁRIO – Por enquanto nós estamos em uma situação, digamos, confortável. Mas não sabemos o dia de amanhã. Hoje temos 75 casos suspeitos e dois confirmados, que estão sendo acompanhados de perto pela Vigilância Sanitária de Guarulhos.

O fato de o senhor ser um servidor público há 36 anos e conhecer bem a rede municipal de saúde de Guarulhos, isso te dar melhor facilidade para atingir o foco dos problemas da área na cidade?

JOSÉ MÁRIO – Não necessariamente. A minha experiência como médico não se traduz em eu ter uma condição administrativa melhor que qualquer outra pessoa. Claro que é uma ajuda inestimável você ter 40 anos de profissão e 36 anos dedicados ao serviço público, hoje chamado SUS. A minha experiência é com pessoas e suas patologias. Agora, eu não vou estar sozinho [na Secretaria de Saúde], pois terei diretores de áreas específicas que são altamente comprometidos e competentes.

O que a cidade pode esperar do senhor como secretário de Saúde?

JOSÉ MÁRIO – Primeiro, comprometimento. Olha, a Medicina não é feita somente com médicos, mas também não acontece sem eles. Esta é uma carência grande que nós temos [a falta de médicos], como já falei. Vamos ter muito cuidado com a LRF, pois com ela a gente fica um pouco engessado com esse patamar de 54% dos gastos com a Saúde, mas não acho que isso esteja errado, é um mal necessário porque, mesmo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, nós tivemos que ter uma [Operação] Lava a Jato no país para deter a corrupção desenfreada, imagine se não tivéssemos a lei.

Temos que usar outros artifícios administrativos, como as OSs (Organizações Sociais), que ficam até mais caras para o município se você administrasse de forma vertical. Se você pegar os nossos equipamentos, que hoje são administrados por OSs, e colocar funcionários próprios, ficaria até mais barato, mas estouraríamos, e muito, a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O prefeito Guti é candidato à reeleição. Se ele for reeleito, o senhor continuará como gestor da Secretaria de Saúde de Guarulhos, se assim ele desejar?

JOSÉ MÁRIO – Desde que eu verificar que fiz um bom trabalho em oito meses e que eu venha a poder três vezes por semana, três horas por dia atendendo no meu querido Camped (Centro de Atendimento Multiprofissional à Pessoa com Deficiência) – que não terei neste período, pois o tempo é curto – eu ficaria, e sem outro vínculo, sem salário a mais. Com essa condição de não abandonar meus pacientes, não vejo porque declinar se o meu grupo política continuar por mais quatro anos no governo.