‘Neve’ de Natal perto do verão atrai visitantes à Avenida Paulista

Foto: Pezibear/Pixabay

O Natal por aqui pode ser no meio do verão e muitas vezes chegar aos 40 ºC, a depender da sua região, mas isso não impede que alguns brasileiros ainda sonhem com aquela visão de neve e um Papai Noel agasalhado descendo pela chaminé. Em São Paulo, esse sonho pode ser realizado através de uma ilusão da campanha “Natal na Paulista”, que desde o último sábado, 3, tem espalhado pela maior avenida da capital totens com ursos gigantes, canções natalinas e “neve” de mentira.

Até o próximo dia 27, entre as 18h e as 23h30, essas cerca de dez estações vão se acender de meia em meia hora, espalhando o clima natalino pela Avenida Paulista com neve de espuma, pisca-pisca e clássicos mundiais como “Bate o sino” e “Noite feliz”. A iniciativa é uma parceria da Prefeitura e da São Paulo Turismo com patrocínio da SmartFit e da Sadia.

Na rua mais movimentada da “cidade que não para”, muita gente parava pra ver o que era aquela “neve” em meio à fumaça dos ônibus. Crianças, casais e famílias paravam para tirar uma foto, enquanto outros apenas filmavam de longe, um pouco encabulados. Se houvesse quem mostrasse irritação com a espuma que atrapalhava penteados e embaçava as lentes dos óculos, outros achavam graça e exibiam sorrisos visíveis até por baixo das máscaras.

O casal Susana e Fernando Fortes já tinha visto a ação nas redes sociais, em contas com dicas de turismo pela cidade e passeios infantis. Na tarde desta quarta-feira, 8, eles resolveram levar os filhos Caio e Catarina, de 6 e 4 anos, para verem a “neve” pela primeira vez, uma sensação que ganhou um empurrãozinho meteorológico com os cerca de 17 ºC registrados na capital por volta das 18h, uma temperatura acima da glacial, mas abaixo do costume para dezembro.

“Tá faltando espírito natalino hoje em dia, né”, comenta Susana. Quando dá 18h e a atração começa a cair em frente ao Parque Tenente Siqueira Campos, Fernando e Caio se divertem, enquanto o pequeno corre de um lado para o outro, acompanhando a espuma espalhada pelo vento. Quem não se impressionou muito foi Catarina: “É espuma de sabão”, reclama no colo da mãe.

Ao lado, a hoteleira carioca Bárbara Garcia, de 33 anos, aproveitou o dia de folga para conhecer a novidade com o enteado Lucas, de 5 anos, e a namorada Mônica, antes de irem ao Parque Ibirapuera. “Achei bem bacana e ficou bonitinho. A decoração aqui na Paulista sempre foi legal no Natal e anima um pouco a cidade, mas nos últimos anos estava muito escassa”, ela opina, há cinco anos morando na cidade.

A comparação com o que já foi feito na região é inevitável e, em alguns aspectos, desapontou parte dos paulistanos que esperavam algo a mais. “Essa ‘neve’ é diferente e bem bacana. A gente estava precisando de algo assim, mas lembro que antigamente era muito maior”, observa Felipe Sugano, de 30 anos, que aproveitou para fazer umas fotos com a mãe, Miriam, de 63.

“Não é nada perto do que já foi antes, mas o pessoal se diverte”, conta Lorena Freitas, de 24 anos. Ela vende artesanatos e acessórios feitos de capim-dourado em uma barraca ao lado de uma das estações de neve. Ali, o trecho da calçada é mais estreito e o movimento de pessoas parando para tirar foto ou apenas rodar debaixo da espuma acaba atrapalhando o tráfego de pedestres, mas ela diz que o novo aparelho não tem interferido muito nas vendas. “À noite fica mais bonito, pra ser sincera.”

Acompanhado da namorada, o psicólogo Anderson Silva, de 27 anos, se sentiu dividido com a ação, muito em partes por causa da pandemia do coronavírus, que depois de quase dois anos ainda não deu trégua para o espírito festivo dos brasileiros. Por um lado, ele diz, “talvez esse não seja o melhor momento para comemorar”. Por outro, confessa, talvez seja bacana ter algum alívio de todo o luto coletivo dos últimos meses, “mesmo que por um pouquinho”.