Som alto nas academias: corpo em forma, audição em risco

Imagem: Fabiano Silva por Pixabay

Pessoas que frequentam academias em busca de saúde e beleza não se dão conta mas, na busca por um corpo perfeito, correm o risco de ter a audição comprometida. O costume de muitas academias de colocar música alta como estímulo para a malhação é aceito pela maioria dos frequentadores. A prática é comum nas aulas de spinning, zumba, localizada e jump porque, segundo os instrutores, assim as atividades ficam mais animadas e excitantes. Mas é preciso cuidado com o volume do som.

De acordo com um estudo realizado na George Mason University (EUA), a intensidade sonora durante essas aulas na academia pode atingir 110 decibéis, nível extremamente perigoso para a saúde auditiva de alunos e professores, que podem, já no curto prazo, sentir zumbido nos ouvidos e, ao longo dos anos, ter perda auditiva cada vez maior, se continuarem a frequentar ambientes ruidosos.

“Quanto mais uma pessoa frequentar locais barulhentos, maiores são os riscos à sua audição. Além disso, na medida em que o volume passa dos 100 decibéis, aumenta o risco de lesões na cóclea (órgão dentro da orelha responsável pela audição). Dependendo da frequência e do tempo de exposição ao som elevado, o aluno e o professor podem sofrer danos auditivos de forma contínua e elevada ao longo da vida”, explica a fonoaudióloga Rafaella Cardoso, da Telex Soluções Auditivas, que é especialista em Audiologia.

A academia de ginástica, um local destinado ao lazer e à saúde gera, paradoxalmente, ruídos sonoros próprios de ambientes industriais, danosos à audição. Na indústria, o uso de protetores de ouvido é obrigatório entre os trabalhadores. No entanto, nas academias, muito frequentadas por jovens, em geral não há essa consciência. O barulho em excesso é não apenas tolerável, mas também bem aceito.

Especialistas afirmam que o nosso ouvido tolera sons de até 85 decibéis. No caso das aulas barulhentas, o mais seguro é permanecer no ambiente por apenas 30 minutos, no máximo. Além da música altíssima para que os alunos entrem no ritmo da malhação, os professores ainda têm que gritar a cada mudança de exercício, o que torna o barulho ainda maior.

Estudo realizado em Curitiba (PR) investigou o perfil audiológico de 32 professores de academias de ginástica. Os resultados mostraram que 15% deles apresentavam perda auditiva neurossensorial para frequências agudas. Zumbido (24%), sensação de ouvido tampado (15%) e baixa concentração (15%) foram as queixas mais relatadas.

Para evitar ou pelo menos atenuar os riscos de danos à audição, o melhor é usar protetores auriculares na academia, assim como fazem os trabalhadores de indústrias. Os protetores da Telex, por exemplo, são moldados de acordo com a anatomia do orelha de cada pessoa. “Os protetores reduzem o volume excessivo, mas quem usa não deixa de ouvir as conversas e a música”, explica Rafaella Cardoso.
 

Fones de ouvido nas academias também podem ser vilões

Quando não estão em aulas específicas, é muito comum que os atletas de academia estejam caminhando ou correndo na esteira, pedalando na bicicleta ergométrica ou usando outros equipamentos. Nesses momentos, um companheiro inseparável é o fone de ouvido. Ouvir música é bom, mas ele passa a ser um vilão para a saúde auditiva quando é usado em volume alto. O problema está ligado não ao uso do fone simplesmente, mas sim ao volume e ao tempo diário em contato com a música alta diretamente no canal auditivo. Alguns modelos, com tecnologia mais avançada, permitem maior clareza da música sem que necessariamente o indivíduo tenha que aumentar demais o volume.
 

“Recomendo às pessoas que frequentam aulas com música alta na academia ou usam fones de ouvido regularmente que procurem um médico otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo para checar a audição, por meio de um exame chamado audiometria. É ele que revela se o paciente já tem perda auditiva e como deve proceder, a partir daí, para evitar o agravamento do problema. Em muitos casos, quando já existe perda de audição, a indicação é de uso de aparelho auditivo”, esclarece a fonoaudióloga da Telex.
 

Outra dica é usar fones mais confortáveis, que se ajustam melhor ao ouvido, permitindo assim um máximo isolamento do barulho ambiente. Deste modo, o usuário pode manter o volume em um nível confortável, já que naturalmente vai ouvir melhor o som das músicas.

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