Sem verba, Fundação do ABC é obrigada a manter médicos que desrespeitam carga horária

A Fundação do ABC (FUABC) está sendo obrigada a manter cerca de 40 médicos que desrespeitam a carga horária na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) São João e nos Pronto-Atendimentos Maria Dirce e Paraíso. Segundo a organização social, eles correspondem a 30% do total de 135 profissionais que atuam nas unidades, mas que desde a implantação do ponto eletrônico com biométrico deixaram de exercer o horário para o qual foram contratados.

Desde então, o grupo passou retaliar a FUABC faltando constantemente ao trabalho e reduzindo drasticamente o número de pacientes atendidos por hora. Com isso, a organização social tem gasto mensalmente cerca de R$ 250 mil, além do contrato com a prefeitura, na contratação de plantões extra, a fim de compensar a ausência desses médicos e a baixa produtividade de alguns.

A Fundação do ABC já notificou a Secretaria de Saúde sobre a necessidade da substituição dos médicos responsáveis pela maioria dos problemas nas unidades, que faltam constantemente ao serviço e reduzem propositalmente o número de atendimentos por hora. No entanto, até o momento não obteve resposta.

Isso porque, para demitir esses profissionais e contratar novos a prefeitura precisa repassar à Fundação do ABC o valor referente às rescisões dos contratos de trabalho. Em nota, a FUABC ressaltou que enquanto isso não ocorrer permanece “refém de profissionais descompromissados e que buscam, através do sindicato, justificar os prejuízos que têm causado à população que utiliza os serviços de saúde municipais”.

Médicos denunciam péssimas condições de trabalho

Na semana passada, os médicos dessas unidades participaram de uma assembleia na regional Guarulhos do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp). Eles afirmam que vêm trabalhando sob péssimas condições de trabalho desde que a FUABC assumiu a gestão das unidades no lugar da Santa Casa.
O Simesp recebeu denúncias de que os profissionais estão sendo vítimas de assédio moral de todas as naturezas, alguns tendo sido inclusive coagidos a assinar um novo contrato de trabalho e, aqueles que não o fizeram, por não concordarem com os termos do documento, foram obrigados a se demitir. Além disso, médicos que questionaram as novas condições de trabalho foram demitidos por justa causa, segundo as denúncias.

No entanto, a informação é negada pela fundação. Já a Secretaria da Saúde afirmou, em nota, que está acompanhando, bem como está aberta ao diálogo para que os direitos sejam preservados.

Reportagem: Rosana Ibanez
Foto: Ivanildo Porto