Início Guarulhos Desemprego estabiliza, mas queda no número de ocupados preocupa

Desemprego estabiliza, mas queda no número de ocupados preocupa

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), iniciada em 2012.
O dado indica estabilidade na comparação com os três meses encerrados em agosto. Em ambos os períodos, o total de desocupados permaneceu em 12 milhões de pessoas.

Apesar do resultado estável, houve queda no total da população ocupada, que chegou a 89,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em setembro. Com isso, o nível de ocupação chegou a 54%, o menor índice da série histórica, iniciada em 2012.
No trimestre encerrado em agosto, a taxa era de 54,2%, com 90,1 milhões de pessoas ocupadas.
“A queda recorde da ocupação é um sinal negativo. Agora é perda efetiva de pessoas que estavam trabalhando e isso é um reflexo dessa crise”, disse o coordenador da pesquisa no IBGE, Cimar Azeredo. “Não temos de forma alguma nenhum sinal de redução da desocupação e a pressão continua muito forte”, afirmou.

O desemprego continuou estável, apesar da queda no número de ocupados, porque aumentou para 64,6 milhões o número de pessoas fora da força de trabalho, também o maior da série histórica.
Eram 64,3 milhões no trimestre encerrado em agosto.
“Ao olhar a queda na ocupação e na carteira assinada, além do aumento da desocupação, o cenário é complicado e muito desfavorável por estarmos no terceiro trimestre e pela série histórica”, disse Azeredo.

“O mercado costumava apresentar algum fôlego (nesse período) para atender às vendas de fim de ano”, completou.

TRIMESTRE CONTRA TRIMESTRE

Na comparação entre o segundo trimestre do ano (abril a junho), o resultado dos três meses encerrados em setembro mostram um crescimento de 0,5 ponto percentual na taxa de desemprego, que passou de 11,3% para 11,8%.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, entretanto, a leitura destaca com força a deterioração do mercado de trabalho, pois em 2015 a taxa era de 8,9%.
O número de desempregados, de 12 milhões, representa alta de 3,8% em relação aos período de abril a junho, o que significa mais 437 mil pessoas desocupadas. Quando se compara com o mesmo trimestre de 2015, o salto é ainda maior: 33,9%, ou mais 3 milhões de pessoas.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado somava 34,1 milhões em setembro, queda de 0,9% (ou 314 mil pessoas a menos) em relação ao trimestre de abril a junho. Ante igual intervalo de 2015, havia menos 1,3 milhão de pessoas, redução de 3,7%.
De acordo com o IBGE, o rendimento médio do trabalhador atingiu R$ 2.015 no trimestre encerrado em setembro, leve aumento de 0,9% em relação ao período de abril a junho (R$ 1.997) e queda de 2,1% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado (R$ 2.059).

Em setembro, o Brasil fechou 39.282 vagas formais de emprego segundo o Ministério do Trabalho, muito pior que o esperado e afetado pelo mau desempenho nos setores de construção civil e serviços.
O mercado de trabalho só deve dar os sinais iniciais de melhora após o primeiro trimestre do ano que vem, com o aquecimento esperado para a atividade econômica. Mas enquanto isso não se concretiza, a tendência é de piora do quadro de emprego, segundo analistas.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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