Câmara instaura CEI para investigar a compra de aterro da Quitaúna por Sebastião Almeida

A Câmara Municipal instaurou ontem uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a compra da área onde funciona o aterro sanitário, localizado no Cabuçu, administrado pela empresa Quitaúna Serviços Ltda, por R$ 3,4 milhões pelo ex-prefeito Sebastião Almeida, pouco antes dele deixar o cargo, em dezembro. O caso foi denunciado pelo HOJE na edição da última sexta-feira (3).
De autoria dos vereadores Marcelo Seminaldo (PT) e Lamé (PMDB), o pedido reforça a necessidade de investigação uma vez que com a aquisição a prefeitura será responsável pela compensação ambiental e recuperação da mesma.

“Esperamos que a comissão se reúna e possa dar uma resposta a sociedade. Se foi uma atitude errada e equivocada, a sociedade precisa saber; assim como se foi correta também”, destacou Seminaldo.
Para instauração da CEI eram necessárias 11 assinaturas, no entanto o documento foi assinado por 18 parlamentares, sendo que da bancada de sete vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT), apenas Seminaldo e Romulo Ornelas assinaram.
“Ninguém do PT compactua com o erro. E se houve erro de forma individualizada as pessoas têm que responder de forma individualizada. Vamos discutir com a bancada quem fará parte”, afirmou Seminaldo.

Entenda o caso

A aquisição da área de 413 mil metros quadrados foi feita por Almeida através do decreto n° 33589, de 4 de agosto de 2016, e revelada pelo HOJE. Com isso a prefeitura assumiu todo passivo ambiental do local o que inclui o controle de emissão de gases; de condução de chorume, que é o líquido proveniente da matéria orgânica em decomposição nos aterros sanitários que, se não tratado, pode contaminar o solo; além do constante trabalho de movimentação do solo.

Além de assumir a área a prefeitura, muito em breve, também deverá tomar uma decisão quanto a disposição final dos resíduos. Isso porque o aterro, que entrou em operação na cidade em 2001, tem vida útil até janeiro de 2018, sendo que com a emissão da licença de Implantação da fase 9, que está prestes a sair, a vida útil será acrescida de um ano e meio. Quando esse prazo chegar ao fim, caberá a prefeitura arcar, ainda, com um plano de recuperação do aterro.

Reportagem: Rosana Ibanez
Foto: Ivanildo Porto