Paciente espera há quatro meses por medicamento para esclerose múltipla

A Prefeitura de Guarulhos está há quatro meses sem fornecer remédio para Maristela Cariri da Franca, 50, que possui esclerose múltipla e recorreu à Justiça em janeiro de 2016 contra a administração municipal. A decisão foi favorável a Maristela e a administração municipal chegou a recorrer, mas após a sentença definitiva, a paciente começou a receber a medicação no mês de junho daquele ano, no entanto, a entrega foi suspensa em novembro e, desde então, ela aguarda pelo remédio.

O medicamento de alto custo chama-se Teriflunomida, uma cartela de 30 comprimidos que está no valor de R$ 6.599. A rotina virou a mesma, e uma vez por semana, a paciente – que mora no Parque Flamengo – contata a Secretaria de Saúde questionando sobre a medicação. Do outro lado da linha, a resposta é a mesma: a medicação está em falta e não há previsão de quando irá chegar.

As mudanças na vida de Maristela começaram em janeiro de 2013, quando descobriu a doença, e desde então ficou impossibilitada de trabalhar. A esclerose múltipla não tem cura e os sintomas são perda de força, formigamento, falta de equilíbrio, visão turva ou dupla, depressão, tontura e problemas sexuais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), a estimativa é que no Brasil 35 mil pessoas possuam a doença. A esclerose ataca o sistema nervoso central e as células de defesa do organismo. Os sintomas podem se manifestar em qualquer idade, mas a faixa que mais atinge as pessoas é dos 20 aos 40 anos, sendo em 70% dos casos mulheres.

“Só consegui tomar a medicação em dezembro porque meu médico me concedeu uma amostra grátis. Essa já é a minha terceira medicação, e foi a que mais fez efeito, além disso, tenho que ir mensalmente ao médico, realizo duas ressonâncias anuais e exame de sangue todos os meses”, afirmou Maristela.

O advogado de Maristela, Luiz Alexandre, 51, afirmou que ao entrar novamente na Justiça neste ano e conseguir a sentença definitiva, a prefeitura pode pagar por uma multa diária de R$ 500 além de responder por desobediência judicial. O HOJE entrou em contato com a Secretaria de Saúde, mas em nota, afirmaram que iriam se posicionar somente nesta terça-feira (28).

Reportagem: Ulisses Carvalho
Foto: Ivanildo Porto