Implantação de azulejos artísticos nas paredes da Igreja Matriz deve ser concluída até o final do ano

A implantação de 200 metros quadrados de azulejos artísticos nas paredes internas da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, na região central, deve ser concluída até o final do ano. A expectativa é que a entrega da obra seja feita como parte das celebrações do aniversário da cidade, em uma missa realizada no dia 8 de dezembro.
Os azulejos, que começaram a ser colocados em 2013, têm inspiração colonial portuguesa e foram uma ideia do Dom Joaquim Justino Carreira, terceiro bispo de Guarulhos, morto em setembro de 2013; ele era português.

A obra retrata os 20 Mistérios do Rosário com delicados e ricos detalhes. “Uma particularidade da azulejaria é a presença das igrejas que deram origem às paróquias que temos hoje. Aqui é chamada de igreja-mãe, e por isso estão retratadas as diversas paróquias da nossa diocese”, explicou o pároco da Matriz, padre Antonio Bosco da Silva.

Ao lado direito do altar, por exemplo, estão retratadas, ao fundo da imagem, as igrejas Catedral, Bonsucesso, Sagrado Coração de Jesus (atual São Charbel) e Bom Jesus da Cabeça, no Cabuçu. Do outro lado, há uma cena que retrata o nascimento da igreja. “Eu pedi para colocar na cena do Pentecostes uma família de índios, que é a origem da cidade, e também uma família de negros, que são presença importantíssima na nossa história. O Pentecostes dá essa ideia da universalidade da igreja que está presente em todos os lugares e aberta a todos os povos”, destacou.
Segundo ele, outros detalhes nas pinturas também valorizam a história de Guarulhos. “Temos a presença da anhuma, que é a ave [hoje, em extinção] que está na bandeira da cidade. Foram retratadas, também, as flores da região. É um modo de inserir a história da nossa cidade na azulejaria”, afirmou.

A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, ou Catedral, pois lá encontra-se a cátedra do bispo, foi erguida como capela jesuíta, em meados de 1560. A primeira capela, construída em pau a pique e cipó, servia como núcleo de aldeamento indígena. Já a segunda construção, edificada em tipa de pilão, foi realizada em 1743, segundo registros do livro Tombo da Cúria Diocesana.

Trabalho artesanal é feito por artista de Vinhedo

Os azulejos são feitos pelo artista Ciano Soares, de Vinhedo, no interior de São Paulo. A ideia das pinturas foi sugerida pelo padre Bosco e idealizada por Soares. O trabalho é minucioso e totalmente artesanal. Após a aprovação dos desenhos, o artista os transfere para o azulejo e eles são feitos com pincel e tinta. Em seguida os azulejos são levados ao forno a 800 graus centígrados, onde ficam por três dias. É dessa forma que o óxido de cobalto penetra no esmalte do azulejo, dando forma aos desenhos.

Além dos painéis, outras imagens, representando a Via Sacra, estão sendo colocadas nas colunas da Catedral. “Nosso objetivo é preservar a igreja, mas com uma preservação que traga as marcas da história e comunidade que se reúne aqui. Temos o cuidado de manter o estilo. Embora a igreja já tenha sofrido várias intervenções, o estilo está mantido”, afirmou o padre, que ressaltou que todo o trabalho da azulejaria está sendo custeado através de doações de fiéis da igreja.