No limite entre Guarulhos e São Paulo, rio Tietê se torna local de descarte para veículos

Com extensão de aproximadamente 1.000 quilômetros, o rio Tietê passa por um longo processo de despoluição da água. Entretanto, existem trechos em que se tornou local de descarte de diversos tipos de objetos, inclusive veículos dos mais variados modelos. Este é o cenário encontrado no bairro da Vila Any, que fica no extremo leste de Guarulhos e faz limite com São Paulo, no Itaim Paulista.

Na estrada do Itaim, via de acesso que liga os municípios limites, é possível avistar a imensa quantidade de resíduos depositados ao longo do rio, entre eles montanhas de plásticos. Além destes, o HOJE contabilizou cerca de nove veículos no local e presenciou a remoção de peças destes por carroceiros.

Moradores da área revelaram, sob a condição de anonimato, que o descarte é frequente e ocorre sempre no período noturno. “Isso não é novidade aqui. Sempre escuto o barulho à noite dos carros sendo jogados no rio”, contou uma mulher.

Já a desempregada Luciane Silva, 48 anos, que mora na área há 24 anos, ressalta que é preciso melhorar a educação e ampliar a orientação aos populares sobre a importância do meio ambiente. De acordo com ela, somente dessa forma é possível mudar a realidade em que se encontra o rio.

“É difícil falar sobre a situação do rio. Moro aqui há 24 anos e já vi um pouco de tudo. As pessoas não têm educação. Se ficar andando pela beira do rio vamos ver colchão, televisão, muitas garrafas, chinelo e até roupas”, revelou.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) disse que está avaliando a situação no local e deverá contratar uma empresa a remoção das carcaças com apoio da Polícia Civil. O departamento ressalta que o local é ponto recorrente de descarte de carcaças de veículos roubados e depenados.

Foram realizadas a remoção de mais de 1.450 veículos e pedaços avulsos (portas, capôs etc.) desde 2009. Apenas em 2017, foram 350 veículos e pedaços avulsos. Após a remoção do interior do leito do rio, as carcaças são depositadas na margem do canal e entregues para a Polícia Civil que deve providenciar a identificação do veículo remoção definitiva. Caso não seja produto de furto ou roubo, a carcaça deve ser removida pela prefeitura.

Antônio Boaventura

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Foto: Ivanildo Porto