Comissão propõe retirada dos agentes de trânsito do aeroporto de Guarulhos

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que investiga a postura do GRU Airport, concessionária responsável pela gestão do Aeroporto Internacional de São Paulo–Guarulhos, em Cumbica, com a legislação municipal, propôs nesta terça-feira (28) a retirada dos agentes de trânsito do aeroporto em função do fechamento do acesso da ponte do rio Baquirivu-Guaçú.

“Seria interessante conseguir com a ponte [do rio Baquirivu-Guaçu] o que nós conseguimos com a Vigilância [Sanitária]. Dentro da comissão fizemos um grande acordo entre a Vigilância Municipal e a Anvisa para a situação da fiscalização do aeroporto, e imaginava também que pudesse alinhar uma negociação para abertura dessa ponte. É um acesso para toda região”, declarou o vereador Eduardo Carneiro (PSB).

Presidente da comissão, o vereador Marcelo Seminaldo (PT) sugeriu que fosse produzido um instrumento com base no princípio de reciprocidade pelo governo guarulhense para que os agentes que estão atuando no aeroporto possam voltar às vias do município. De acordo com ele, o GRU Airport não demonstra interesse em cumprir as medidas mitigadoras para promoção da melhoria de infraestrutura da cidade.

“Se a GRU [Airport] entende que não vai fazer a abertura, que é um direito dela, a Prefeitura de Guarulhos, por sua vez, também tem os seus instrumentos. A gente presta um bom serviço no sentido de garantir os fiscais de trânsito o tempo integral dentro do aeroporto, que ajuda organizar o trânsito e autua, então precisamos de vários agentes na cidade e não necessariamente dentro do aeroporto”, disse Seminaldo.

Em contrapartida, representantes da concessionária apresentaram à comissão documentos emitidos pelo Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP), pela promotora de Justiça Natália Almeida, em maio de 2015, e Ministério Público Federal, em julho do ano passado, solicitando o arquivamento do processo que pede a abertura do acesso pela avenida João Jamil Zarif fechado em dezembro de 2013.

“Nós temos um fluxo muito grande de veículos naquela área e houve um aumento muito grande de passageiros durante esses últimos anos. E por conta desse fluxo tivemos que fechar por que não dava vazão no trânsito de veículos nos terminais de passageiros, já que a rodovia Hélio Smidt foi construída com essa finalidade de atender chegada e saída de passageiro”, justificou Miguel Trindade, coordenador de segurança e planejamento de inteligência do GRU Airport.

Antônio Boaventura

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Foto: Ivanildo Porto