Cidade: Estudo do Governo do Estado aponta que mais de 15% das áreas de Guarulhos são classificadas de risco

Defesa Civil de Guarulhos trabalha para minimizar os prejuízos nas áreas classificadas de risco - Crédito: Divulgação

Antônio Boaventura
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Estudo realizado pelo Governo do Estado aponta que 15,3% das áreas de Guarulhos são classificadas de risco, o que coloca entre os maiores da região do Alto Tietê, composta por 11 municípios (Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano). A iniciativa é conduzida por técnicos Instituto Geológico e representantes das Câmaras Técnicas do Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê).

Os municípios com maior parcela de áreas de risco são Itaquaquecetuba (26,1%), Ferraz de Vasconcelos (17,2%) e Guarulhos (15,3%), enquanto os menores são Salesópolis (1,41%), Guararema (1,45%) e Santa Isabel (1,48%). Quando se considera as 730.148 edificações existentes nas 11 cidades, o mapeamento mostra que 21,61% estão em áreas de risco, sendo 4,8% nos níveis alto e muito alto. Região tem 9,23% do território com algum tipo de risco geológico identificado; estudo vai nortear ações de planejamento territorial e gestão na prevenção de riscos

Para o coordenador do Mapeamento de Riscos de Movimentos de Massa e Inundações do Instituto Geológico (IG), órgão ligado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, Cláudio José Ferreira, os municípios da região possuem mais um instrumento de planejamento territorial e aplicação direta na prevenção e gestão de desastres. O estudo constatou que no período de 25 anos (1994/2018), a região do Condemat registrou 5.987 acidentes e desastres geológicos, hidrológicos e meteorológicos, que resultaram em 113 mortes.

“São mapeamentos em três escalas complementares disponíveis também em formato de sistema de informação geográfica, para que diferentes gestores possam trabalhar com os dados, dando mais utilização ao estudo”, disse Ferreira.

Já o coordenador da Câmara Técnica de Gestão Ambiental do consórcio, Daniel Teixeira de Lima, considera ser importante que o trabalho seja contínuo tanto nas prefeituras quanto no consórcio. “As políticas públicas não são de governos, elas ficam e devem ser continuadas. Por isso, estamos pensando em trabalhar um plano regional de resiliência a desastres naturais estruturado no curto, médio e longo prazo”, destacou Lima.

O encontro desta quinta-feira (03) entre técnicos e representantes do Poder Executivo estadual foi o primeiro de uma série de outros que vão ocorrer semanalmente a partir de agora somente com os gestores municipais. “Os municípios precisam atuar juntos no planejamento territorial da região metropolitana. Vamos criar um grupo de trabalho para trocar experiências e o Consórcio dar perenidade nas ações”, explicou o coordenador da Câmara Técnica de Planejamento do Condemat, Cláudio de Faria Rodrigues.

Mais de 50 pessoas entre representantes da Defesa Civil dos municípios, das Câmaras Técnicas de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável; de Habitação; de Planejamento; e de Segurança do Condemat, participaram da reunião, que contou também com uma apresentação do tenente da Defesa Civil Estadual, Tiago Luiz Lorençon, que contextualizou o sistema de proteção e defesa civil.

“A Defesa Civil é um conceito responsável por articular entre todos os órgãos dos poderes públicos as ações, tanto na redução dos riscos de desastres, quanto nas tomadas de decisões”, concluiu Lorençon.