Obras mal feitas pela gestão passada impedem uso de prédio da Getúlio Vargas pela Cultura

O prédio da praça Getúlio Vargas, que por décadas sediou a Câmara Municipal de Guarulhos até 2010, não pode ser utilizado pela Secretaria Municipal de Cultura, conforme reivindicam grupos e coletivos culturais do município. Reformas mal feitas pela gestão passada, do PT, que utilizou verbas federais para transformar o local em um centro de informações turísticas, inviabilizam o uso do piso superior da edificação, que data dos anos 50, e pode ter sua estrutura abalada. Uma sindicância realizada pela atual gestão mostra uma série de problemas no prédio. 

Segundo o jornal apurou, as gestões do PT cogitaram usar o espaço para abrigar no andar térreo um Restaurante Escola e, no andar superior, um Centro Cultural e Turístico com implantação de um auditório para ocupação de 250 pessoas sentadas. Para que esta requalificação fosse possível, a edificação foi submetida a três intervenções com readequação do layout original. Para tanto, foram removidas algumas alvenarias existentes e com implantação de novas. 

A primeira intervenção ocorreu entre abril de 2010 e dezembro de 2011, com obras de reforma e adaptação do pavimento térreo com aquisição de equipamentos para implantação de Restaurante Escola. Entre junho de 2011 a agosto de 2011 ocorreu a segunda intervenção para reforma do telhado. A terceira obra ocorreu no período de novembro de 2013 a fevereiro de 2016, com o objetivo de implantar o Centro Cultural e Turístico. Esta intervenção no andar superior, onde antes funcionava o plenário da Câmara Municipal. A ideia era realizar a readequação do layout e implantar ali um auditório para ocupação de 250 pessoas sentadas.

Porém, por algum erro no projeto ou execução da obra, após as intervenções no pavimento superior, a estrutura da edificação apresentou várias patologias, como o aparecimento de fissuração e até rachaduras nas paredes dos banheiros, lavanderia, da dispensa e do refeitório, além de deformação na laje de piso do auditório. Diante do comportamento fragilizado da estrutura, a Secretaria de Obras contratou a empresa EPT – Engenharia e Pesquisas Tecnológicas S.A, para que realizasse um relatório técnico com o objetivo de avaliar e apresentar resultados referente as inspeções visuais realizadas, confirmando que o pavimento superior não deveria ser utilizado.  

No ano passado, o Departamento de Atividades Culturais da Secretaria de Cultura realizou um processo para avaliação de estrutura e elaboração de projeto de intervenção. A Secretaria de Obras providenciou os elementos técnicos para o processo licitatório e encaminhou ao Departamento de Licitações e Contratos para continuidade. Em 2020, porém, a empresa vencedora do certame declinou da assinatura do contrato e o processo retornou à Secretaria de Obras para uma nova atualização de preços.

Diante do impasse, a Prefeitura estuda a utilização neste momento do piso térreo que pode vir a abrigar a Secretaria de Assuntos para a Segurança Pública, instalando no local uma base da Guarda Civil Municipal.  Com relação à reivindicação dos artistas referente ao espaço cultural no antigo prédio, a municipalidade entende que não é possível atender esta reivindicação neste momento. Também concorda que o recém aprovado Plano Municipal de Cultura é o norteador da política cultural da cidade pelos próximos dez anos e que sua importância não deve conflitar com ações necessárias para o bom uso dos espaços culturais da cidade.

Desta forma, a Secretaria da Cultura defende que as atividades culturais devem compor uma agenda de programação social, cultural, turístico e ambiental da praça. Ressaltar ainda que a pasta receberá o prédio da Praça John Fitzgerald Kennedy, ao lado da Getúlio Vargas, onde funcionava a antiga base da Polícia Militar. O novo espaço será transformado na Casa do Artesão, que irá dialogar de forma extensiva para a implementação de uma Feira de Artes e Artesanato na Praça Getúlio Vargas, colaborando para que o local se torne mais um ponto de atração cultural em Guarulhos, transformando-a em espaço para o convívio urbano e social, atendendo um antigo desejo da população.

Crédito da imagem: Ivanildo Porto