Em 60 dias, Câmara Municipal instala 2ª sindicância contra Professor Jesus

Gil Campos

Em dois meses, a Câmara Municipal de Guarulhos abriu duas sindicâncias para apurar supostas irregularidades cometidas pelo vice-prefeito e secretário da Cultura, Professor Jesus (Republicanos), no período de sua presidência no Legislativo. Ele comandou a Casa de Leis em duas ocasiões – 2015-2015 e 2019 e 2020. As investigações foram determinadas pelo atual presidente Fausto Miguel Martello (PDT)

Em 18 de maio último a primeira sindicância foi aberta para apurar possíveis irregularidades em aplicações financeiras realizadas na gestão do Professor Jesus. De acordo com o Legislativo, as ações podem ter causado um prejuízo de R$ 500 mil aos cofres públicos.

O HOJE apurou que as aplicações foram feitas em renda fixa e que a Câmara Municipal escolheu a Caixa Econômica Federal para aplicar o dinheiro. Existem aplicações em renda fixa conservadoras, ultraconservadoras e moderadas. A gestão da Casa de Leis, naquela ocasião, escolheu as moderadas, que tem um risco real de dar algum prejuízo conforme as variações do mercado financeiro.

Na ocasião, a Câmara explicou que esta ação é uma determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), e que todo dinheiro que estiver em caixa é recomendado que seja aplicado. Contudo, o legislativo tem como base de apuração a falta de diligência na verificação diária dos recolhimentos das aplicações escolhidas, que causou a rentabilidade negativa.

Agora, na edição da última sexta-feira (16), do Diário Oficial do Município, foi publicada a portaria número 24001 determinando a segunda sindicância contra o vice-prefeito. Desta vez, as investigações, a serem presididas pelo servidor Marcos Dias Junior e com prazo de 90 dias para conclusão, vão apurar suposta “desativação por inanição do banco de dados do Legislativo”, ou seja, a perda total do banco de dados digital da Câmara.

Ex-presidente afirma que está

sendo vítima de ‘perseguição’

Quando foi instalada a primeira sindicância contra o vice-prefeito e secretário da Cultura, Professor Jesus, ele informou ao HOJE que estava sendo vítima de um ato de conspiração. Agora, nesta terça-feira (20), afirmou se tratar de um ato de “perseguição”.

Pela manhã, a reportagem tentou contatos por telefone com Professor Jesus e não conseguiu, depois, pelo WhatsApp, ele disse que estava com crise de sinusite e inflamação na garganta, por isso não tinha condições de conversar e escreveu a respeito das sindicâncias.

“Com certeza é perseguição. Fizeram uma sindicância há uns 2 meses, não encontraram nada. Sairá a resposta de arquivamento acredito que até sexta-feira (23). Como não encontraram nada, resolveram fazer outra! Mas sou uma pessoa do bem. Só procurei fazer o melhor para cidade. Eles devem estar me confundindo com alguns deles que são acostumados a surripiar o nosso Município. Estou com minha consciência tranquila”, escreveu Professor Jesus.