Início Opinião Cristiano Medina da Rocha Pandemia dos mecanismos do governo de São Paulo

Pandemia dos mecanismos do governo de São Paulo

Os órgãos responsáveis pelos Serviços de Verificação de Óbitos (SVO), assim como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e o de Saúde de São Paulo estão prestes a entrar em colapso face às ações desesperadas tomadas pelo governador João Doria, com nefastos reflexos negativos à população.

Com a edição do Decreto 64.880, seguida da Resolução SS-32, que versa sobre as “Orientações para casos de óbitos durante a Pandemia de Covid-19”, serviços eficientes de salvamento de vidas prestados pelo Samu, está fadado a ser desestruturado para passarem a realizar precariamente atividades de legistas.

O governador determinou que “não serão realizadas autópsias por morte natural no período de pandemia”, prejudicando assim a estatística de outras causas patológicas de óbitos e possíveis impunidades de crimes dolosos e culposos contra a vida, não identificáveis a olho nu, permitindo ainda, manipulações da estatística de mortes ocorridas pelo Covid-19.

Com a nova resolução, o médico que constatou o óbito na residência (Samu e etc.) terá de atestá-lo e adotar complexos e morosos procedimentos como: – remover dos cadáveres tubos, drenos e cateteres e descartar adequadamente; – limpar as secreções nos orifícios nasais e orais com compressas; – tamponar orifícios naturais e fazer curativos impermeáveis em soluções de continuidade; – alocar o corpo em compartimento refrigerado; – embalar o corpo em saco impermeável próprio; – limpar o saco; – identificar o saco com informação de risco biológico – Covid-19;  – limpar posteriormente a maca da mesma forma que o saco; – acomodar o corpo em urna lacrada; – limpar a urna; informar a funerária para que esta mantenha os mesmos cuidados com colaboradores; não sendo  necessário veículo especial.

O Samu é um serviço de atendimento às urgências pré-hospitalares, utilizado em casos de urgência e emergência, tendo como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido alguma situação de risco a vida, que possa levar a sofrimento, sequelas ou mesmo à morte.

Contudo, com a política de Dória foi relegado a exercer sem qualquer condição estrutural atividades que antes era desenvolvida por médicos especialistas em local estruturado para tal finalidade. Assim, se perdurar a determinação governamental, além da população de São Paulo, continuar sofrendo com a pandemia do Covid-19, estará desassistida do Samu, o que certamente aumentará os óbitos por outras causas.

A solução para esta crise estrutural aparentemente não é tão complexa, basta que cada órgão continue exercendo, dentro das limitações impostas pela pandemia, suas atividades fins, cabendo aos médicos do SAMU salvar vidas e os peritos do SVO atender os cadáveres, seja nas próprias instalações ou nas residências dos falecidos, permitindo assim, que a população continue a receber atendimento de urgência.

É certo que o governo municipal pode legislar sobre esta matéria; esperamos que o prefeito Guti e o Legislativo de Guarulhos não permitam que a absurda norma de Dória atinja nossos munícipes e destrua o eficiente trabalho do Samu e do SVO.

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