Terapia em grupo que acontece no CAMPD acelera a recuperação de impactos do AVC

Divulgação/CAMPD
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Maria Menezes

Com grande demanda de pacientes com sequelas após sofrerem Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a impossibilidade de atendimento imediato, Siomara Fabbre, assistente social e gerente do Centro de Atendimento Multidisciplinar à Pessoa com Deficiência (CAMPD), iniciou o planejamento para a criação de terapia em grupo, com ajuda da fisioterapeuta Silvia de Cássia Araújo Alves.

A cinesioterapia em grupo, projeto pioneiro feito através do movimento, precisou de cerca de dois meses para apresentar resultado aos pacientes atendidos, cuja idade varia de 30 a 82 anos. Com quase um ano de existência, proporcionou melhoras significativas a 100% dos pacientes.

“Siomara deu a ideia de fazer o atendimento em grupo, mas não há na bibliografia nacional e nem internacional um atendimento em grupo para pacientes com sequelas neurológicas do AVC, então foi muito complexo fazer todo esse estudo para que a gente possibilitasse esse tipo de atendimento. Nós iniciamos o trabalho com três pacientes, hoje temos 97 inscritos e 83 realmente atuantes”, conta Silvia.

Inicialmente a maior dificuldade era entender como tratar pacientes com sequelas de AVC em grupo, por apresentarem grandes dificuldades e necessidades de toque, justamente por possuírem sequelas há mais de dois anos.

“Eles chegam para nós com cinco, 10 e alguns com 15 anos de sequelas e como trata-los em um grupo heterogêneo, com quadros neurológicos às vezes muito difíceis de lidar? Então começamos com três pessoas e, vendo os avanços, chegamos à quantidade de hoje. Nós iniciamos um estudo, com a criação de um artigo científico, que mostrou que todos que responderam à pesquisa tiveram 100% de melhora. Com melhora eu quero dizer, por exemplo, nós temos cadeirantes com muitas dificuldades em atividades de vida diárias, como tomar banho, comer, se locomover e hoje muitos estão andando, mesmo com dificuldades”, explica.

Os grupos têm como objetivo envolver os pacientes em todo o processo de reabilitação, devolvendo a autonomia, através de um ambiente alegre e com roda de conversas. “Com os grupos nós os trazemos de volta para a sociedade. Eles conseguem ver o outro na mesma situação, isso é um apoio”, diz Silvia.

Festa junina anima os pacientes

Reflexo disso aconteceu na terça-feira (20) quando os pacientes participaram de uma festa junina para celebrar o início das férias. De acordo com Silvia, a organização foi feita inteiramente pelos pacientes, com o intuito de promover a inclusão social. “Na ocasião, eles se organizaram em grupos para decidir o que seria feito, como seria organizado e eu queria ver eles terem autonomia, desejo e prazer de realizar e foi perfeito”, conta.

No dia, foi improvisada uma quadrilha, onde os pacientes participaram com ajuda de muletas. “Nós tivemos um paciente que veio para a festa, pela primeira vez, sem a cadeira de rodas. Ele nos disse que vinha e assim foi. Então essa é uma representação de como os outros incentivam a movimentação de todos, então vendo tudo isso nós temos dimensão do quanto esse tratamento é real. A terapia é inusitada, que não existe em lugar nenhum, mas apresenta esses resultados então precisamos que o CAMPD seja visto e que essa terapia seja utilizada em mais lugares, pois funciona e ajuda muito a nossa comunidade”, ressaltou.

Centro foi criado em 1999

Inicialmente nomeado como CAPD, o Centro de Atendimento à Pessoa com Deficiência foi criado em 1999 e, em 2000, a ex-vereadora Silvana Mesquita, em conjunto com o então vereador e atualmente clínico e cardiologista, Dr. José Mário, conseguiu transformá-lo em um equipamento de especialidades.

Desde 2017, em uma ação entre o médico e o prefeito Guti, o local, renomeado como CAMPD (Centro de Atendimento Multidisciplinar à Pessoa com Deficiência) tem investido em um serviço pioneiro para acompanhamento de usuários com deficiência física ou intelectual em estágio crônico.

“Com a entrada do prefeito Guti nós conseguimos realizar um antigo sonho de vereador de trazer o primeiro CER 2 (Centro Especializado de Reabilitação), que reabilita pessoas com deficiências físicas e mentais, com isso iniciamos o CAMPD. Hoje nós temos aqui cerca de nove médicos em várias especialidades como Fonoaudiologia, Psicologia, Fisioterapia, Psiquiatria, Neurologia, Clinica, Cardiologia, Ortopedia Terapia Ocupacional e Ginecologia para pacientes com deficiências crônicas”, observa.

A porta de entrada ao CAMPD deve ser feita através de uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município. “O paciente deve ser avaliado por um médico, que insere no sistema informando a patologia, o que ele já realizou de exames e quais especialidades já foi atendido e encaminha para a Regularização Central, que envia para nós, em caso de pacientes crônicos que já foram reabilitados ou para o CER2, especializado em reabilitação, para pacientes que nunca foram reabilitados”, explica Siomara Fabbre.

Em conversa com o HOJE, Anderson da Silva Melo, de 33 anos, acompanhante da paciente Neusa Rosa da Silva Melo, de 62, atendida no local há cerca de dois anos, contou que o local foi de extrema importância não só para o progresso dela, mas também por impedir o agravamento.

“Desde que começamos a participar aqui, nos sentimos em um serviço privado. Nunca tivemos um suporte tão grande. Nós viemos de Mogi das Cruzes, mas lá nós não tivemos um bom atendimento clínico e eu diria que a minha mãe vir ao CAMPD salvou ela, inclusive no segundo AVC que ela teve, por conta dos profissionais que ela teve, como o José Mário, que é o melhor médico que ela já teve e a Rosane, que é essa profissional que acompanha ela há mais de um ano. Eu não tenho o que reclamar daqui e a melhora dela foi, e está sendo, enorme. Quem teve um primeiro AVC tem probabilidade de ter outro e o bom atendimento impediu que ela tivesse um segundo mais grave. Poderia ter sido muito pior se tivesse sido negligenciado como os atendimentos que ela teve antes. O tratamento dela melhorou e isso ajudou para que ela tivesse um segundo menos grave”, disse.

Em relação ao atendimento no local, Neusa diz se sentir muito melhor ao ser acompanhada pelos profissionais do CAMPD. “Eu me sinto bem, me ajuda muito bem”.  A paciente teve um primeiro AVC em 2019 e o segundo em outubro de 2022.

O encaminhamento para o CAMPD, que fica na Viela Porto Belo, 28, Vila São Jorge, é realizado pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), cujos endereços podem ser consultados em www.guarulhos.sp.gov.br/unidades-basicas-de-saude-ubs, ou pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER), localizado na rua das Palmeiras, 865, Vila Augusta.

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