Drauzio Varella diz que se arrepende de abraço em detenta de Guarulhos

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O médico Drauzio Varella afirmou que lamenta toda a repercussão que houve do caso de quando entrevistou e abraçou uma detenta trans, Suzy Oliveira, que estava presa Penitenciária José Parada Neto por estupro e assassinato de uma criança de nove anos. O gesto aconteceu após ela dizer que não recebia visitas há oito anos. 

“Esse caso aconteceu em um presídio lá em São Paulo, em Guarulhos, com uma travesti. O erro foi meu, totalmente meu. Eu trabalho em cadeias há mais de 30 anos e nunca na minha vida eu abracei um preso. Não faz parte do relacionamento que eu tenho com eles, mas ali no ‘Fantástico’ eu estava como repórter, na verdade. Estava como jornalista, falando daquela realidade”, disse Varella durante coletiva de imprensa para divulgar as novidades dos 50 anos do programa “Fantástico” da TV Globo.

O clima de comoção que o gesto despertou, logo foi tomado por revolta quando os crimes cometidos por Suzy vieram à tona. Na ocasião, ele não sabia os crimes que ela tinha cometido e, durante a conversa, ele a abraçou. “E naquele momento, aquela pessoa que eu não sabia o que tinha feito… Porque o princípio básico que eu sempre utilizei, que aprendi com os carcereiros mais velhos, é que você não pergunta o que a pessoa fez. Eu sou médico, não sou juiz. Tem gente mais preparada do que eu para julgar. E eu me comovi com aquela pessoa que me olhou de um jeito tão desprotegido, tão triste, que me deu vontade de dar um abraço nela”, continuou. “Aquilo não fazia parte do script, nem caberia. Toda essa confusão que foi armada, todos esses problemas que nós enfrentamos… Eu, pessoalmente, (recebi) ameaças de morte, etc… Quando eu olho pra trás, eu lamento o que aconteceu, é claro, mas isso foi gerado por um abraço. Isso que é a tristeza, gerar uma coisa tão violenta assim por um abraço”, finalizou. 

O caso aconteceu em 2020 e, tanto o médico quanto a TV Globo, foram processados pela família da criança. Eles chegaram a ser condenados a pagar R$ 150 mil por danos morais em primeira instância. Mas, após recorrer, foram liberados de pagar a indenização. O processo ainda corre no STJ.

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