Câmara faz moção de repúdio contra o fechamento da Furp em Guarulhos

Antônio Boaventura

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Sensibilizados com o provável fechamento da Fundação do Remédio Popular (Furp) em Guarulhos, cuja decisão será tomada pelo governador João Doria (PSDB) até o final do ano, os vereadores fizeram uma moção de repúdio contra a possibilidade de encerramento da unidade, que pode ser repassada para a iniciativa privada.  

Os parlamentares guarulhenses preparam uma audiência pública para tratar o tema, possivelmente no dia 4 do próximo mês, que deve contar com a presença de representantes do governo estadual e integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que investiga supostas irregularidades na gestão da empresa pública.

“Quero saber o que o senhor João Doria tem contra a cidade de Guarulhos? Agora ele quer fechar a maior empresa farmacêutica da América Latina, que está sediada em nossa cidade e gera quase 900 empregos. Logo no inicio de sua gestão, o primeiro ato foi desprezar R$ 20 milhões que serviria para o recape asfáltico de nossa cidade”, criticou o vereador João Dárcio (Podemos).

A ociosidade deste ano, segundo os próprios funcionários da Furp, é 42% de sua capacidade de produção. Com uma dívida de pouco mais de R$ 1,3 milhão, eles cobraram também a modernização do maquinário utilizado para a produção de medicamentos. A fábrica em Guarulhos conta com mais de 800 funcionários e pode produzir 400 mil comprimidos por hora ou até 1 bilhão por ano.

“A Furp é o maior laboratório público da América Latina e nos últimos três mandatos estamos sofrendo retaliações por parte do Governo [do Estado], mas nada tão agressivo como nesse mandato. O interesse do governador João Dória é o de privatizar a Furp e comprar os medicamentos da iniciativa privada”, concluiu Alexsander Caetano, 46 anos, auxiliar de expedição da Furp.

Foto: Ivanildo Porto