Por que os vira-latas fazem sucesso?

Foto: Pixabay

Eles já representam cerca de 40% dos cães nos lares brasileiros, segundo levantamento do Instituto Qualibest (2019), e já têm até uma data especial: em 31 de julho é celebrado o Dia do Vira-lata. A comemoração tem o objetivo de valorizar e incentivar a adoção dos cães e gatos sem raça definida (SRD), que ganharam o apelido de vira-latas por serem comumente vistos revirando latas de lixo em busca de alimentos para sobreviverem, quando abandonados ou nascidos nas ruas.

Mas afinal, quando um animal é considerado sem raça definida? Segundo a médica veterinária e consultora da rede de farmácias de manipulação veterinária DrogaVET, Farah de Andrade, podemos considerar sem raça definida os cães e gatos mestiços (animais provenientes do cruzamento de duas ou mais raças e que ainda apresentam características das mesmas), animais nos quais já não é possível identificar o traço de alguma raça e também os cães com misturas propositais como, por exemplo, o labradoodle – cruzamento de labrador com poodle.

Saúde e personalidade dos pets sem raça definida

É comum ouvirmos dizer que animais sem raça definida dificilmente ficam doentes. Até que ponto isso é verdade? A veterinária esclarece: “Filhotes de cães e gatos de raça não herdam apenas as características físicas dos pais, mas também toda a carga genética de doenças daquela raça e de seus genitores. Já os cães e gatos sem raça definida vêm de uma mistura de genes de raças diferentes e, quanto maior for essa mistura, menor carga genética das raças será herdada. Desta forma, os vira-latas podem ser considerados mais resistentes a doenças genéticas, porém isso não significa que não venham a desenvolver alguma delas”.

A maior resistência a doenças, no entanto, não dispensa os cuidados com a saúde dos vira-latas. “Os cães e os gatos sem raça definida são tão suscetíveis a doenças infectocontagiosas quanto os pets de raça, por isso cuidados com vacinação, controle de pulgas e carrapatos, prevenção de endoparasitas e uma alimentação saudável são fundamentais para eles também”, alerta Farah.

A mistura de raças dos vira-latas confere características físicas variadas, o que os torna ainda mais exclusivos. Já a personalidade também pode variar bastante: além da influência da combinação de raças, cães e gatos sem raça definida que foram resgatados de situações de abandono ou maus-tratos, podem desenvolver traumas e fobias. “O ambiente em que cresceram afeta significativamente a personalidade dos pets, porém com muito carinho, paciência e orientação de adestradores é possível amenizar esses traumas e transformar a vida desses bichinhos. O mais importante é dar a eles a chance de terem uma família. Eles certamente irão retribuir com muita gratidão e amor”, comenta Farah.

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