Início Guarulhos Parceria entre ONG e Igualdade Racial atende migrantes em Guarulhos

Parceria entre ONG e Igualdade Racial atende migrantes em Guarulhos

Divulgação/Instituto Criando para o Futuro

Uma colaboração entre a Subsecretaria da Igualdade Racial de Guarulhos e o Instituto Criando para o Futuro atendeu, somente entre março e abril deste ano, 25 famílias e 33 crianças e adolescentes, incluindo jovens brasileiros, migrantes e refugiados que vivem em situação de vulnerabilidade social na Vila das Malvinas, nas proximidades do aeroporto internacional.

A ação englobou acolhimento familiar, entrevistas, observações, sondagens psicopedagógicas e avaliações psicológicas, o que possibilitou um abrangente entendimento das condições que impactam o desenvolvimento infantojuvenil da comunidade.

Denominadas Trilha de Aprendizagem e Desenvolvimento Integral, as atividades identificaram as necessidades educacionais, emocionais e sociais dos jovens e de suas famílias, o que promoveu um mapeamento detalhado da realidade local a fim de construir estratégias para futuras intervenções em benefício da comunidade.

De acordo com a psicopedagoga Gildete Santana, que realizou avaliações individuais para identificar o nível de aprendizagem dos jovens, a iniciativa teve como propósito compreender não apenas as dificuldades de aprendizagem, mas também os fatores emocionais, familiares, culturais e sociais que influenciam o desempenho escolar, a convivência comunitária e o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes.

As análises mostraram que 90% dos migrantes não estão alfabetizados, com dificuldades maiores em história e geografia, haja vista que eles são de outros países, mas há déficit em outras matérias também, como o português, o que ocasiona um problema cada vez mais comum nas escolas, principalmente no Ensino Médio: o bullying.

Gildete, que também é diretora do Instituto Criando para o Futuro, revelou que em muitos casos temos de começar a alfabetização do zero. Segundo ela, o trabalho envolve ainda o ensino de como funciona a linguagem escolar no Brasil e conversas com os pais para explicar a rotina de estudos no país.

A língua portuguesa representa um desafio substancial para boa parte das crianças migrantes e refugiadas, já que a dificuldade de se comunicar implica problemas na leitura, na escrita, na compreensão das atividades escolares, na participação em sala de aula, na socialização com colegas e na construção de vínculos. Em vários casos observou-se que a dificuldade não está relacionada à capacidade cognitiva da criança, mas sim à limitação causada pelo idioma.

Plano de intervenção

O Instituto Criando para o Futuro, tendo em vista os resultados obtidos nas anamneses, começará um processo contínuo de alfabetização e recomposição de aprendizagens com o objetivo de garantir que as crianças tenham acesso ao suporte básico necessário para recuperar as habilidades necessárias ao desenvolvimento escolar.

O plano prevê reforço escolar sistemático, atendimentos psicopedagógicos, acompanhamentos psicológicos, oficinas de leitura e escrita, desenvolvimento da consciência fonológica, estímulo ao raciocínio lógico, atividades socioemocionais, envolvimento das famílias no processo educativo e monitoramento da evolução das crianças.

De acordo com Gildete, o objetivo da parceria é levar esses atendimentos a outros bairros da periferia de Guarulhos ainda neste ano.

Malvinas

A comunidade Malvinas apresenta uma realidade de desafios socioeconômicos que afetam diretamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Durante os atendimentos foram identificadas famílias vivendo em condições de vulnerabilidade social, enfrentando dificuldades relacionadas à renda, acesso a serviços especializados, moradia, alimentação e oportunidades educacionais, o que acaba por ocasionar baixa autoestima, insegurança emocional, fragilidade nos vínculos familiares e pouco acesso a atividades de estímulo educacional.

Muitas dessas famílias relataram dificuldades para acompanhar o processo escolar dos filhos devido à extensa jornada de trabalho, à baixa escolaridade dos responsáveis e à ausência de uma rede de apoio estruturada. Também foram observadas famílias migrantes e refugiadas que chegaram ao Brasil em busca de melhores condições de vida e segurança, trazendo consigo desafios adicionais relacionados à adaptação cultural e educacional.

Serviço

Para obter mais informações sobre o instituto acesse https://www.criandoparaofuturo.org.br/.

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