Inflação na cidade de São Paulo é a menor em 19 anos

A inflação de 2017 recuou para o menor patamar em 19 anos no município de São Paulo. A taxa foi de 2,27%, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
É a segunda menor taxa em 78 anos. Só fica acima da deflação de 1,79% de 1998. A Fipe pesquisa preços de 463 itens em famílias com renda de até dez salários mínimos.
“Temos que comemorar o 2,27%, mas ele não voltará em 2018”, diz André Chagas, coordenador do IPC. Ele prevê de 3,7% a 4% para este ano.
O forte recuo da taxa em 2017 –em 2016 havia atingido 6,54%; em 2015, 11,07%– tem alguns componentes que vêm da própria debilidade da economia brasileira: taxa de desemprego, perda de renda dos consumidores e capacidade ociosa das indústrias.
Um dos pontos básicos da queda da inflação são os alimentos, que subiram só 0,31% no ano. “Foi um período de supersafra no Brasil e nos demais produtores de grãos.”
A elevada taxa de desemprego e a pouca recuperação do salário real também cooperaram para a queda, gerando uma demanda fraca. Além disso, a capacidade industrial ociosa das empresas dificultou um repasse de preços.

JUROS
Chagas destaca ainda que a política monetária do governo começa a surtir algum efeito e ajuda a queda dos juros. Além disso, o cenário externo não foi dos piores. “Tudo isso garantiu o 2,27%.”
“Este será um ano de incertezas. A inflação sobe, mas não explode.” Os alimentos, um dos pontos favoráveis em 2017, não vão dar a mesma contribuição positiva.
O período eleitoral será de gastos por parte do governo. As discussões sobre as reformas continuarão e, se as pesquisas eleitorais apontarem para candidatos de posições extremas (esquerda ou direita), a turbulência será maior.
Os itens de pressão de 2017 –gás, gasolina e energia– estão indefinidos para 2018. Chagas acredita que os reajustes do gás serão mais moderados. “É um item sensível para os eleitores.” Já o risco do preço da gasolina virá do mercado internacional.
“A energia é uma equação que não se fecha. Dependerá do regime de chuvas.” O ano passado não foi um período tão ruim, mas a “bandeira vermelha” foi acionada cinco vezes desde junho. “Imagine se houver seca em 2018.”
A “bandeira vermelha” é acionada quando aumenta a oferta de energia das termoelétricas, que têm custo maior.
A inflação de 2018 vai depender também de fatores externos. Ações tresloucadas de Donald Trump e o triunfo do “comunismo de mercado da China” são dois componentes a serem levados a sério, na avaliação de Chagas.
As ações de Trump, presidente dos EUA, podem gerar volatilidade no câmbio e elevar os juros, o que reduz o fluxo de capital para o Brasil.
Já a China, sempre problemática, mas com boa capacidade de gestão da economia, pode elevar a demanda por grãos. Importações maiores dos chineses e eventual quebra de safra no Brasil elevariam os preços dos alimentos.
Para Chagas a China pratica o “comunismo de mercado”. O país chegou à condição de potência fazendo o jogo de mercado, mas não abre mão do poder decisório.

(Folhapress)
Foto: Divulgação

- PUBLICIDADE -