Início Variedades Trabalhos artísticos produzidos por presos da Penitenciária José Parada Neto, de Guarulhos,...

Trabalhos artísticos produzidos por presos da Penitenciária José Parada Neto, de Guarulhos, são expostos na Unifesp

Na última semana (de 11 a 15 de março) os milhares de quilômetros que separam o Brasil da África foram encurtados durante a exposição “Africanidades – a beleza da África”, ocorrida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – campus de Guarulhos. A ação abrigou diversas produções artísticas realizadas por presos do regime fechado da Penitenciária I “José Parada Neto”, de Guarulhos, e contou com mesa redonda sobre o tema.

Os trabalhos foram produzidos pelos reeducandos durante um semestre letivo do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), coordenado por professores da Escola Estadual Francisco Antunes Filho. Durante os seis meses de aulas, eles tiveram a oportunidade de conhecer o que os livros de história não contam sobre a cultura do continente africano.

Presente ao evento da Unifesp, a professora da rede estadual que ministra aulas na unidade prisional, Tamyres Siqueira, fez um relato sobre o desenvolvimento do projeto em sala de aula. Segundo ela, desde o início, foram enfrentadas algumas barreiras ao explicarem pontos importantes da história do continente, como as religiões de matrizes africanas e o papel central da mulher na sociedade, por exemplo. 

“O trabalho foi feito com base em muita pesquisa e conversa para que entendêssemos os pensamentos e os pré-conceitos dos presos, e até de alguns professores, sobre os temas abordados. Muitos não sabiam que a África é composta por diversos países, outros só conheciam a história dos africanos na situação de escravos. Foi a oportunidade de mostrarmos a riqueza desses povos”, explicou a educadora.

No início e no fim do semestre, os professores fizeram uma pesquisa com os reeducandos perguntando qual a raça que se autodeclaravam. De acordo com Tamyres, a maioria se identificou como pardo ou branco, poucos como negros. Com o término das aulas, a pesquisa foi repetida e o número de reeducandos que se identificaram como negros, desta vez, aumentou e, quando perguntados sobre o motivo, alguns disseram não conhecer a história do povo negro e a possibilidade de descenderem de povos africanos.Aproximação da sociedade
O Diretor Geral da Penitenciária I “José Parada Neto”, de Guarulhos, André Luiz Alves, também esteve presente no evento e parabenizou o empenho dos educadores, que se engajam em oferecer conteúdos de qualidade aos reeducandos que resultam em trabalhos como o exposto na Unifesp Guarulhos. Alves participou da roda de conversa “Relações Étnico-Raciais na EJA do Sistema Prisional” com Tamyres e a Professora Marina Pereira de Melo, docente da Unifesp. Ele aproveitou para agradecer o apoio do corpo docente da universidade, que abriu o espaço para que a exposição acontecesse.

A Professora Doutora Mariângela Graciano, docente do curso de Pedagogia da Unifesp de Guarulhos, coordenou a exposição “Africanidades – a beleza da África”. Para ela é importante trazer esses trabalhos para fora da unidade prisional como parte da responsabilidade das universidades públicas de estarem cada vez mais próximas da sociedade, divulgando pesquisas e abrindo seu espaço de conhecimento a todos. 

- PUBLICIDADE -