‘Eu como médico, jamais prescreveria a cloroquina’, diz secretário de Saúde

Foto: Prefeitura de Guarulhos

Em transmissão pelas redes sociais ao lado do prefeito Guti, na noite desta quinta-feira (14), o secretário de Saúde de Guarulhos, o cardiologista José Mario Clemente, enfatizou por duas vezes que, “como médico, jamais prescreveria” a cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus (covid-19), ao responder perguntar de um internauta que acompanhou a live.

“Não há no mundo todo nenhum tratamento específico, cientificamente experimentado, para o covid-19. Isso inclui a cloroquina e a hidroxicloroquina. São medicamentos experimentados cientificamente contra a malária, febre reumática, artrite reumatoide e lúpus, mas os efeitos colaterais desses medicamentos são nefastos – disritmia cardíaca grave, são medicamos tóxicos para os rins e fígado, podendo levar até a surdez”, observou José Mario.

Ele explicou que alguns médicos estão prescrevendo esses medicamentos, “mas sem nenhum embasamento científico”, lembrando que o Conselho Federal de Medicina (CFM) não indicou, mas não proibiu, o uso em pacientes com covid-19. “Então fica a critério de cada médico, que tem que conversar com o paciente, quando é possível, ou com a família, lembrando os prós e contras dessas medicações [no tratamento]. Mas eu, como médico, jamais prescreveria esses medicamentos para a covid-19”, observou.

A utilização da cloroquina e hidroxocloroquina para o tratamento de covid-19 está sendo defendida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). O argumento de Bolsonaro é que o Conselho Federal de Medicina (CFM) já permite que médicos prescrevam o remédio para pacientes leves.

O protocolo do ministério, porém, segue recomendações de sociedades médicas e é mais cauteloso: autoriza o uso no SUS apenas para pacientes internados.

O ministro da Saúde, Nelson Teich vem sendo pressionado por Bolsonaro para flexibilizar a medida.