Três anos após último reajuste, tarifas de ônibus sobem abaixo da inflação em Guarulhos

Fabio Nunes Teixeira/PMG

Desde o último reajuste nas tarifas de ônibus de Guarulhos, no início de 2019, a inflação acumulada chegou a 20,4%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pela IBGE. Mesmo assim, as passagens nos ônibus permaneceram congeladas nos últimos três anos. Somente neste momento, após tentativas junto ao governo federal para obter repasses para ajudar nos subsídios pagos pela Prefeitura às empresas, sem um resultado positivo, a Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana (STMU) definiu um repasse de 10% no valor do Bilhete Único, usado pela maior parte dos usuários do sistema e que dá o direito de utilizar quantas linhas for possível no período de duas horas.

Desta forma, a partir do dia 2 de janeiro a tarifa em Guarulhos passará para R$ 4,90 para quem utiliza o Bilhete Único. Quem usar dinheiro pagará R$ 5,00. Uma terceira tarifa, paga pelas empresas por meio do vale-transporte a seus funcionários, custará R$ 5,50.

Neste ano a Prefeitura investiu R$ 71 milhões em subsídios ao sistema de transporte municipal. Sem esse aporte, a passagem dos ônibus em Guarulhos custaria R$ 5,52 para todos os passageiros, inclusive àqueles que gozam de gratuidades, como idosos de 65 anos ou mais, estudantes e professores, conforme as planilhas de custos apresentadas à STMU e publicadas no Diário Oficial do último dia 14. Somente o óleo diesel, um dos principais insumos utilizados no transporte, aumentou, no ano de 2021, mais de 65%. Há ainda pressão de outros valores, como folha de pagamento, peças e renovação da frota, que é atualizada todos os anos.

Em 2021 as empresas que participam do sistema de concessão incluíram 50 novos veículos equipados com ar condicionado. Desde 2017, mais de 70% de toda a frota foi completamente renovada em Guarulhos, incluindo os micro-ônibus utilizados pelo sistema de permissionários. 

Para evitar reajustes, o prefeito Guti faz parte de uma frente nacional de dirigentes municipais que pressionam o Congresso Nacional a aprovar uma lei para que a União repasse aos municípios os valores investidos nas gratuidades, como aquelas concedidas a idosos e estudantes, entre outros públicos específicos. No entanto, sem a aprovação de um projeto neste sentido até o momento, diversas prefeituras se viram obrigadas a majorar os valores.

Na Capital, estudos apontam que a tarifa deve ir a R$ 5,10. Em Mogi das Cruzes as passagens subiram para R$ 5,00 neste mês. Municípios do ABC paulista e do Alto Tietê, que já cobram tarifas mais altas que Guarulhos, como São Bernardo (onde o valor era de R$ 4,75 e irá para R$ 5,10), também irão majorar os valores a partir de 2 de janeiro. Em Diadema, a tarifa em dinheiro passará para R$ 5,10 e, para o vale-transporte, R$ 6,00. Em Piracicaba, no interior paulista, a tarifa passará de R$ 4,80 para R$ 5,60.