Protesto de caminhoneiros ‘trava’ as rodovias que cortam Guarulhos

Caminhoneiros ‘travaram’, nesta segunda-feira (21) trechos em Guarulhos das rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra para protestar contra o aumento do diesel previsto para entrar em vigor nesta terça-feira (22). Os profissionais autônomos ouvidos pelo HOJE afirmam que o reajuste de 0,97%, o quinto nos últimos dias, torna a prestação de serviço inviável. As rodovias registraram longo congestionamento durante o dia.

“Nos últimos cinco anos era melhor. A partir desse governo não está tendo mais condições de trabalhar com os constantes aumentos de pedágio e combustível. A gente precisa do caminhão para sobreviver. Para você encher o tanque hoje gasta uns R$ 2 mil. A população não está aguentando mais”, desabafou o caminhoneiro Hélio Fernandes, 49 anos.

Segundo a CCR NovaDutra, concessionária responsável pela administração da rodovia Presidente Dutra, os caminhoneiros seguiram em comboio no trecho guarulhense do quilômetro 216,6 ao 224 no sentido da cidade de São Paulo. A movimentação causou congestionamento de pouco mais de 3 quilômetros. Já na Fernão Dias, de acordo com a Arteris, os caminhoneiros utilizaram apenas o acostamento.

“Eu acho que estamos com a razão. O combustível subir cinco vezes na semana fica difícil para gente trabalhar. Os fretes não aumentam e continua a mesma coisa”, lamentou Silvandir Filho, 43, que exerce a atividade há dez anos.

 

Concessionária consegue liminar para garantir o direito de ir e vir

Em contrapartida, a CCR NovaDutra informou que, em virtude do anúncio de eventuais paralisações da rodovia Presidente Dutra pelos movimentos de caminhoneiros, conseguiu liminar favorável à petição de Interdito Proibitório contra esses eventos. A liminar foi concedida na última quinta-feira, 17, pela juíza Patrícia Cotrim Valério, titular da 1ª Vara Estadual de Santa Isabel, e é válida para toda a extensão da rodovia Presidente Dutra, em seus 402 quilômetros, nos trechos do Rio de Janeiro e de São Paulo.

De acordo com a liminar, está proibido “o tráfego de pessoas ou estacionamento de veículos bem como, por Centrais Sindicais, Órgãos de Classe e Movimentos Sociais, estes últimos caso identificados por ocasião à participação de manifestação “Paralisação dos Caminhoneiros”, *sob pena de multa no valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), em caso de descumprimento.* Foi determinado ainda o distanciamento mínimo de 500m de pessoas e veículos (participantes das manifestações) das praças de pedágio”.

Antônio Boaventura

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Foto: Ivanildo Porto