Em combate contra fraudes na água, Guarulhos economiza quase 40 milhões de litros

Durante este longo período de estiagem na região Sudeste do país, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guarulhos realiza diversas ações para evitar o desperdício de água pela população. Somente no primeiro semestre de 2018, as equipes de caça-fraudes da autarquia descobriram irregularidades que proporcionarão ao município a economia de 37,5 milhões de litros de água, volume suficiente para abastecer 7,5 mil pessoas durante 30 dias.

Os “gatos”, como são chamados esse tipo de fraude, acontecem de diferentes formas. Entre janeiro e junho deste ano, o Saae descobriu 78 casos de grandes proporções em Guarulhos, contra 48 no semestre anterior, o que significa um aumento de 62,5% na eficiência das equipes que saem às ruas em busca de irregularidades praticadas pelos consumidores. Em média, cada ligação clandestina descoberta representa uma economia de 480 mil litros de água.

Além do ganho imediato com mais água disponível, a descoberta dos “gatos” também gera receita à autarquia, que pode utilizar o dinheiro para investir na melhoria do abastecimento. A multa para a fraude residencial, por exemplo, é de R$ 1.403,65, contra R$ 12.281,90 para estabelecimentos comerciais e R$ 28.072,90 para indústrias. Além do valor da multa, o fraudador tem de pagar o consumo de todos os meses em que utilizou água irregularmente, uma soma que pode superar o montante da multa.

O tipo mais comum de “gato” encontrado pelo Saae é a substituição do hidrômetro por um cano, permitindo que a água entre no domicílio sem qualquer registro de uso. Além disso, muitos fraudadores costumam inverter o hidrômetro no período em que sabe que o leiturista não irá fazer a verificação. Quando a água passar pelo relógio, ele vai diminuir a marcação ao invés de aumentar. Depois ele inverte novamente o equipamento perto do dia da leitura – assim, o valor cobrado nunca passará do mínimo (10 m³), o que gera a cobrança de uma tarifa menor.

Por fim, outro método muito comum é colocar um arame no hidrômetro para travar o mecanismo, o que também impede o registro correto do quanto foi gasto. Para evitar este último caso, o Saae está substituindo os hidrômetros velocimétricos pelos volumétricos, nos quais esse tipo de fraude é impossível. Por ano, cerca de 20 mil hidrômetros são substituídos. Trata-se de um trabalho de longo prazo, já que a cidade possui pouco mais de 400 mil hidrômetros, sendo 350 mil velocimétricos.

A autarquia salienta que a ajuda da população é fundamental para evitar fraudes e permitir que cada vez mais pessoas tenham água todos os dias em suas torneiras. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800-101042, pelo WhatsApp (11) 99983-4217 ou através do e-mail: [email protected] O sigilo é garantido.