Casos de roubos de celular seguidos de extorsão aumentam no estado

O número de roubos de celular seguidos de extorsão aumentou no Estado de São Paulo. Levantamento feito pelo Departamento de Pesquisas em Economia do Crime da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) apontou que os casos de agosto e setembro desse ano equivalem a 54% de todos os registros de 2021 e correspondem, em sua somatória, a um número nove vezes maior na comparação do mesmo período de 2020.

A pesquisa foi feita com base nos boletins de ocorrência divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. Os números apresentados podem ser maiores devido a subnotificações e boletins incompletos ou com erros que são descartados durante o tratamento dos dados.

Segundo a análise, enquanto foram registrados 38 casos de roubo de celular com extorsão em 2020 – ano atípico devido às medidas de isolamento da pandemia – o acumulado de janeiro a setembro de 2021 já conta com 83 casos registrados.

O que chama atenção é o aumento considerável nos meses de agosto e setembro desse ano, com o total de 45 boletins. No mesmo período do ano passado, foram registrados 5 casos desse tipo de crime.

O levantamento mostrou ainda que a cidade de São Paulo responde por 50,4% desse tipo de crime. Além disso, a maioria das ocorrências foram registradas em ruas, avenidas e estradas (93%) e acontecem com maior concentração no período da noite (47,9%).

Para o coordenador do Departamento de Pesquisas em Economia do Crime da Fecap, professor Erivaldo Costa Vieira, além da retomada das atividades, um fator que pode ter contribuído para o aumento do número de roubos de celular seguidos de extorsão é a popularização do sistema de pagamento via Pix. Ou seja, além de levar o aparelho, os criminosos obrigam a vítima a colocar senhas dos aplicativos de banco e fazer a transferência instantânea para contas “laranjas”.

“O crescimento desse tipo de crime pode ser uma indicação do retorno das atividades econômicas ao volume ‘normal’, ou seja, com mais pessoas nas ruas, aumenta o número de crimes, no entanto, não é possível descartar, dada a magnitude do aumento das ocorrências, uma mudança na motivação dos criminosos por esse tipo de atividade”, avalia o professor.

O Banco Central já havia anunciado em agosto que há 500 transações suspeitas para cada 100 mil transações com Pix, seja por fraude ou em decorrência de um crime. Para aumentar a segurança nas operações realizadas por meio desse tipo de pagamento, a instituição impôs limites de horário para transações acima de R$ 1.000, que ficam “bloqueadas” entre 20h e 6h.

Departamento de Pesquisas em Economia do Crime

O Departamento de Pesquisas em Economia do Crime iniciou seus trabalhos em 2016. Por meio dos dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e do Business Intelligence do grupo Tracker, o setor produz o Boletim Econômico Tracker-Fecap , que apresenta o comportamento geral da criminalidade e artigos de professores e/ou especialistas.

Além disso, o Departamento de Pesquisas em Economia do Crime também realiza análises independentes do comportamento da criminalidade em locais e períodos mais detalhados.

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