Ambulantes agem livremente e sem ser incomodados no aeroporto de Guarulhos

Em busca de valores mais atrativos, funcionários e até passageiros do GRU Airport–Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, em Cumbica, optam no momento reservado para suas refeições pelo cardápio ofertado por ambulantes, que migraram de diversas regiões da cidade para comercializar seus produtos nos terminais. Os comerciantes revelaram que o ganho mensal deles é de aproximadamente R$ 1.500.
Alguns ambulantes aceitaram conversar com o HOJE sobre o comércio ambulante, mas com receio de possíveis retaliações solicitaram o anonimato. Os motivos pelo qual optaram por exercer aquela função autônoma vai desde a recente perda do emprego à falta de oportunidade de trabalho. A reportagem apurou que cerca de 60 comerciantes exercem a atividade comercial naquele espaço.

“Esta foi a única alternativa que me restou. Perdi o emprego há cerca de três meses e preciso ajudar no sustento da casa. Então, este é o meu ganha-pão. E desta forma consigo pagar as minhas contas e colocar comida na mesa da minha família”, disse uma comerciante que vende marmita no aeroporto ao valor de R$ 12.
E próximo do tradicional horário do almoço, às 12h, o fluxo nas proximidades dos terminais se intensifica em busca do cardápio ofertado pelos vendedores. Uma funcionária da concessionária revelou que o valor praticado nos estabelecimentos de alimentação instalados no aeroporto é inviável pela realidade econômica deles e por isso compram comida dos ambulantes.

“Não é possível comer diariamente nos restaurantes do aeroporto. É muito caro. O valor que gastamos em um único dia é possível fazer a refeição da semana inteira comprando aqui (ambulantes). A realidade é muito distinta da porta pra fora”, declarou esta funcionária.

A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto, informou que trabalha ativamente junto aos órgãos de desenvolvimento urbano do município para coibir o comércio informal no sítio aeroportuário, sempre dentro dos limites da responsabilidade do aeroporto e em cumprimento à legislação vigente. Para atenuar este cenário, o aeroporto mantém orientação periódica aos passageiros, visitantes e funcionários que frequentam o complexo aeroportuário, de modo que não incentivem ou aceitem a prestação de serviço informal oferecida nas dependências dos terminais.

Antônio Boaventura
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Foto: Ivanildo Porto