Covid-19: ONG coloca São Paulo em 10º lugar no ranking de transparência sobre dados do Coronavírus no País

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Da Redação
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Avaliação da Ong Internacional Open Knowledge Brasil (OKBR) sobre o conteúdo divulgado pelos governos estaduais em relação ao Covid-19 colocou o estado de São Paulo na 10ª posição no ranking de transparência elaborado para analisar os 26 estados e o Distrito Federal neste aspecto. Este processo levou em consideração o formato e nível de detalhamento das informações divulgadas nos portais dos governos dos estados e do governo federal, sendo que 11 estados não publicam dados mínimos.

“Toda estatística olha para o dia de ontem e não para o de hoje. Esses dados são coletados em toda rede de saúde do estado de São Paulo público e privado. Quando eles chegam são disponibilizados imediatamente. Na questão dos testes nós vamos colocar online. Nós temos que ver as projeções e não olhar para o retrovisor do carro”, declarou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.


– 90% dos avaliados ainda não publicam dados suficientes para acompanhar a disseminação da pandemia de Covid-19 pelo país, incluindo o governo federal
– Quase 40% dos estados ainda têm nível “opaco” de divulgação (0 a 19 pontos)
– Apenas 1 estado divulga em seu portal a quantidade de testes disponível
– Nenhum estado divulga quantos leitos (sobretudo, UTIs) estão ocupados, em relação ao total disponível
– 3 estados e o governo federal ainda não publicam informação por município
– Mais de 80% dos entes avaliados não divulgam dados em formato aberto (apenas em boletins ou em meio ao texto corrido)

O levantamento ainda indica que 90% dos estados, incluindo o governo federal, ainda não publicam dados que permitam acompanhar em detalhes a disseminação da pandemia de Covid-19 pelo país. O Brasil registrou seu primeiro caso em 26 de fevereiro de 2020. Apenas Pernambuco conta, atualmente, com um nível alto de transparência (com 81 pontos de um total de 100, pelos critérios da avaliação).

Em seguida, Ceará (69) e Rio de Janeiro (64) também apresentam bom nível de informações, embora ainda haja pontos importantes a melhorar. Onze estados ainda precisam avançar na publicação de dados e foram considerados “opacos” com relação à Covid-19 – o nível dessa categoria vai de 0 a 19 pontos. A avaliação foi feita sobre as informações disponíveis na manhã de 2 de abril. Para refletir as melhorias feitas pelos estados, o índice será atualizado semanalmente.

“A rede está de fato, agora, se organizando e aguardando a chegada dos insumos para começar a operar e resolver [o caso dos] exames parados e não ter acúmulo de material. A prioridade agora são os pacientes [em estado] grave e internados, os profissionais de saúde e os óbitos. Esperamos que isso seja rapidamente equacionado”, explicou Covas.

Chama a atenção a ausência de informações sobre testes disponíveis nos estados: na data de coleta das informações, apenas um dos 28 entes avaliados informava esse dado. Outro dado relevante, ainda ausente, é a taxa de ocupação de leitos: nenhum estado conta quantos leitos (sobretudo de UTIs) estão ocupados, em relação ao total disponível.

“É preciso reconhecer os esforços desses gestores, pois esses dados são fundamentais para que pesquisadores e jornalistas possam ajudar os governos a monitorar a crise e mesmo contribuir com soluções. Na última semana, alguns estados evoluíram muito rápido”, avalia Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da OKBR. Ela cita especialmente Maranhão, Tocantins e Rio de Janeiro, que nos últimos dias passaram a fornecer informações detalhadas e em formatos abertos.

Todas as avaliações foram enviadas com antecedência aos estados. Até o fechamento deste material, seis responderam: Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão e Santa Catarina. Nenhum contestou a pontuação. O Amazonas destacou que realiza transmissões ao vivo todos os dias para atualizar os dados, e que vai utilizar esta avaliação como parâmetro para aprimorar a maneira como os publica.

“Esta avaliação busca apoiar os estados e o governo federal na melhoria da transparência. Como o Ministério da Saúde publica dados muito agregados e os estados não observam os mesmos parâmetros de publicação, há muita variação entre os estados. Isso pode prejudicar a comparação e dificultar o planejamento a infraestrutura de saúde necessária para lidar com a crise”, disse.

Em seus boletins epidemiológicos, os estados também alertaram para as dificuldades que estão enfrentando desde o dia 27 de março, quando o Ministério da Saúde mudou o sistema nacional para registro de notificações. Rondônia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Maranhão, por exemplo, afirmam que não conseguem obter dados detalhados por município nesta fase de transição.

“Quero esclarecer que a orientação do Governo do Estado de São Paulo é transparência absoluta com todas informações disponíveis e acessíveis não somente aos jornalistas, mas à opinião pública. Os nossos sites abrem todas as informações. Não há informações omitida, escondida ou deliberadamente retardada à opinião pública. Desde o início das nossas coletivas e essa é a 25ª, disse que temos uma guerra de saúde, econômica e de informação. E vencer a guerra de informação é oferecer informações corretas, precisas e transparentes”, concluiu o governador João Doria (PSDB).